domingo, 23 de agosto de 2015

Ollague - Chile


          Recentemente realizei uma expedição com alguns amigos até o Peru, batizamos com o nome de Expedição Cinco Fronteiras (criamos uma página no Facebbok), passamos pela Argentina, Chile, Bolivia e Peru, retornando ao Brasil pelo Acre. 

          O quinto dia de viagem foi entre San Pedro de Atacama até Ollague, passando por Calama e é este relato que irei apresentar a vocês a seguir, uma pequena história num trecho de estrada de rípio;


          Antes de sair de San Pedro de Atacama passamos numa casa de cambio para trocar algumas moedas - seguimos para o Valle de La Luna onde tiramos algumas fotografias e seguimos viagem sem saber se encontraríamos hospedagem em Ollague, a informação que tínhamos era que haviam apenas duas hospedagens para caminhoneiros que passam pelo deserto, nós estávamos em 5 motos, sendo que em 3 viajavam casais, viajamos preparados para pousar em barracas, caso fosse necessário.


          Uma das preocupações era o rípio, estrada não asfaltada e com pedras vulcânicas que podem cortar o pneu da moto, além dos bancos de areia que existem pelo caminho, pois é, andar no rípio estava muito legal, até que pegamos um banco de areia e eu fui ao chão. Cabe aqui um comentário elogiando os chilenos, logo atrás de mim estava uma caminhonete com tres funcionários de uma mineradora local, eles ergueram minha moto e se prontificaram a me levar até Ollague colocando a moto na carroceria. Eu ainda estava deitado ao chão e com minha perna dobrada, percebi que meu tornozelo estava torto, de imediato imaginei ter quebrado algo com isso era o fim da aventura para mim, fiquei extremamente aborrecido nesse primeiro momento. Resolvi esticar a perna para ver se não havia mais nenhum problema, para minha surpresa, meu tornozelo voltou ao lugar e não havia sinais de algo quebrado, a dor era grande, resolvi ficar de pé e fiz alguns movimentos, foi aí que senti que dava para seguir viagem, mesmo com o pé muito inchado, agradeci aos chilenos, esses ainda nos deram algumas orientações para caminhar sobre o rípio. A queda foi uns 100 km antes de chegar em Ollague.

          A dor que sentia na perna e o ar rarefeito foram responsáveis por uma situação cômica. Num certo desvio, a Sibely (minha esposa) desceu da moto para que eu pudesse passar com mais tranquilidade, e ela ficou ali para ajudar os demais - eu acabei acelerando a moto e fui conversando com ela, pensando que estivesse na garupa, pior, eu ouvia ela respondendo - quando de repente meu padrinho Oziel apareceu ao meu lado perguntando com quem eu estava conversando, então eu respondi, com a Sibely oras!! Que susto quando percebi que ela não estava em minha garupa, ela ficou receosa de seguir viagem em minha garupa. rsrsrs.

          Andamos mais uns 100 km até chegar ao nosso destino do dia, passamos por alguns bancos de areia e também em algumas pistas de sal, na região das salinas de  Carcote e Ascotán, muito liso por sinal, nessa região é comum encontrar as vicunhas. Eu estava receoso em cair novamente, em dias de chuva torna-se dificil passar de motocicleta na região, além das temperaturas que podem ir desde os -23°C até os 25°C. Nesse dia nosso amigo Alexandre também foi ao chão, mas nada sofreu.


          Quando chegamos em Ollague, encontramos apenas uma hospedaria, a moça nos falou que teria apenas um quarto com oito camas, rsrsrs. bom, acabamos ficando com este quarto - depois de algum tempo eu perguntei a ela se por acaso não haveria um quarto de casal - ela disse que sim, mas eu teria que pagar o dobro - equivalente a R$ 90,00. Pedi o quarto devido a minha situação, minha perna doía e eu iria fazer um tratamento com a caixa de primeiros socorros que levamos. Passado algum tempo apareceu uma enfermeira - a responsável pela hospedaria mandou chamar. De cara ela falou que iria aplicar uma injeção na bunda, me deu um antibiótico para tomar de 8 em 8 horas e ainda imobilizou minha perna com uma faixa - a principio fiquei preocupado em quanto aquilo me custaria, para minha surpresa saiu de graça. Esta enfermeira era funcionaria da Mineradora local, havia uma especie de ambulatório ali, onde ela era funcionaria.

          Depois de medicado tive uma noite tranquila - nessa noite nos dormimos ao lado do Vulcão Ollague - lugar muito bonito.

          Ollagüe é uma comuna da província de El Loa, localizada na Região de Antofagasta, Chile. Possui uma área de 2.963,9 km² e uma população é de pouco mais de 318 habitantes (2002), é a última cidade entre a divisa do Chile com a Bolívia, há poucos metros se realiza os trâmites para passar de um país ao outro.


          Em Ollagüe existem serviços básicos e um albergue para turistas, além de um posto de carbineros (policia), que pode ser de grande ajuda se seu plano é ascender algum vulcão. Para uma aventura desse tipo, é preciso ter experiência, além de equipamento para resistir baixas temperaturas.

          Assim como em muitos povoados do altiplano, nos arredores também há celebrações com danças e música de bumbos e trompetes. Por exemplo, a festa de Nuestra Señora del Rosario de Andacollo, do 24 a 28 de dezembro, e a festa de San Antonio, do dia 11 ao 15 de junho.

                   O Vulcão Ollagüe é um estratovulcão ativo situado na fronteira da Bolívia e Chile, na II Região de Antofagasta no Chile e no Departamento de Potosí na Bolívia, na cordilheira dos Andes, com uma altitude de 5.870 metros.

          Possui uma cratera de 1.250 metros de diâmetro, a qual foi erodida na parte sul, o que deixa descoberta rastros de lavas. Apresentam duas fumarolas: a principal, que mede 100 metros, está localizada a 700 metros a oeste da cratera, de onde  se observa o escape de gases de cor amarela (enxofre) e branco (vapor de água), em nossa chegada na região conseguimos observar essa pequena fumaça que sai pela fumarola. A outra fumarola se encontra em cima do vulcão. Pelo lado chileno, ascendendo a 5.500 metros de altitude acima do nível do mar, começam a vislumbrar-se ruínas de ex-acampamentos enxofreiros denominados Santa Cecilia y Santa Rosa, os quais podem ser visitados a pé desde a base do vulcão. Sua ascensão requer uma boa condição física e a companhia de um guia.



 





 




















13 comentários:

  1. Expedição Lost Lander
    47ª Dia, Atacama Chile x Ollague Chile
    24/01/2015, no dia 396km, total 6776 km

    Ao sair de San Pedro do Atacama, fui atravessar o deserto novamente ate calama, durante o caminho muito frio, abasteci a moto em calama e segui para Bolivia, depois de calama o caminho era apenas terra, muita terra, sem condicoes nenhuma, e ainda errei o caminho chegando em um vilarejo no meio do nada, fui a policia camineira para me ajudarem, me deram um mapa e agua e tive que voltar 50km, e em uma curva com muita area fofa veio uma rajada de vento tao forte que me jogou no chao, eu estava a 10km/h e nao me machuquei entretanto nao conseguia levantar a moto, no meio do nada a mais de 3000 metros de altitude qualquer esforco era multiplicado por 10, eu nao tinha mais forças para tentar levantar a moto, esperei um 5 min e usei toda minha força e veio uma força sobre humana e consegui levantar a moto, algumas veias da minha mao ate estouraram, depois disso voltando para chiuchiu onde a esquerda eu voltava para calama e nao iria mais a bolivia, e a minha direita continuava rumo a bolivia, depois de muito pensar em pros e contras resolvi seguir viagem mesmo assustado depois do tombo, mesmo a estrada sendo toda de terra, mesmo estando com sede, fome e frio e decidi continuar, estou aqui pra enfrentar o mundo e nao iria me acorvardar e voltar para tras e segui rumo a bolivia, depois de muita terra, alguns pingos de chuva que estavam me assustando pois estava muito frio e a cordilheira dos antes sempre me acompanhando aquelas montanhas maravilhosas brancas de neve e muito deserto cheguei a cidade de Ollague que è fronteira do Chile com a Bolivia, fui procurar hotel, morto de cansado, com fome, frio, sede... e no primeiro hotel nao havia vagas e assim foi o mesmo nos 3 hoteis da cidade que tinha apenas 2 ruas e um linha ferrea cruzando a cidade, o deserpero comecou a bater pois em pouco tempo iria escurecer a cidade mais proxima era a 150km, e naquele momento ja fazia 5 graus, e a noite iria para temperaturas negativas e eu precisava de um teto para dormi, eu nao me deixava desesperar e rodeando todos os cantos da cidade o deserpero estava perto de explodir mas sempre calmo, vi uma estaçao de trem com a porta aberta, e perguntei a um funcionario (o unico no local) se poderia dormi ali no corredor com meu saco de dormi, contei o que havia acontecido e que nao consegui nenhum lugar para dormi, ele pediu para esperar um momento e saiu.. depois de uns 10 min ele voltou com um senhor que parecia ser o chefe, me parabenizou pela minha coragem de viajar de moto a america do sul sozinho e que iria me arrumar um quarto para dormi na estaçao de trem que è utilizado pelo alto escalao quando vem a cidade, o quarto para mim era a coisa mais luxuosa que havia em quilomentros a cama tinha nada mais nada menos que 7 cobertas e super confortavel, fui a um loja pequena compre alguns biscoitos para comer e apaguei, mais a noite acordo com musica, e a curiosidade era maior e fui ver o que era, todos os habitantes da cidade (cerca de 250 no maximo) estavam na quadra esportiva da cidade, existia homens e mulheres vestidos de rei e rainha do baile, e conversando com alguns nativos eles me disseram que era celebracao do verao, ontem se premia o campeonato de futebol na regiao e se celebra a vida! achei super interessante a cultura do lugar, e depois de algum tempo voltei a estacao para dormi!

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    1. Você esta de parabéns, realmente passar naquele canto sozinho não é para qualquer um. Eu li a sua matéria há algum tempo atrás, isso só aumentou a admiração que tenho pelos chilenos, um povo muito especial.

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  2. Realmente amigos, o trecho é bem dificil, foi um dos dias mais complicados de minha viagem, e ainda percorri tudo sozinho, ainda bem que deu tudo certo com a minha viagem e a sua!
    Mais uma vez, parabens pela viagem!

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    1. Valeu, muito bacana compartilhar histórias, elas servem para mostrar aos aventureiros que é necessário se preparar para poder enfrentar, a ideia do blog é mais ou menos essa, procurar levar ao amigos as coisas boas, mas também o que se enfrenta para poder chegar lá.
      Se me permitir, gostaria de publicar seu relato numa matéria, precisaria apenas de seu nome completo e autorização, pode ser inbox em meu Facebook (Rogerio Boschini).
      Abraxxx - boas rotas !!

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  3. Boa tarde. Irei fazer o trajeto de San Pedro do atacava a Uyuni na Bolívia. Estou indo em um carro sem tração nas 4 rodas. Gostaria de saber se eh possível fazer esse roteiro.Ah, parabéns pelo excelente Blog!

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  4. Opa, valeu
    Existem duas opções, uma totalmente ripel , mas a estrada é bem sinistra , rsrs, não realizei este trajeto mas cheguei a pesquisar, é necessário um guia.
    Eu realizei outra, boa parte no ripel mas bem mais tranquila - a estrada é terraplanada constantemente e não há como se perder - siga até Calama-CHI e depois em direção a Ollague. Os poucos pontos que existem de areia voce consegue passar tranquilamente - a Rota é bem movimentada, procure sair cedo de Calama, são 400 km - nós optamos em dormir em Ollague, fica na metade do caminho, existem apenas 2 hospedaria para caminhoneiros, mas é tranquilo, ambiente de respeito.

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  5. Obg Rogério, vou seguir tuas orientações. Tinha ficado preocpado porque vou fazer esse percurso em janeiro,mes das chuvas p la. Ainda outra dúvida. Nessa aduana de Ollague, eles emitem a Declaración Jurada de Ingreso y Salida de Vehículos de Uso Privad? Não tô achando seguradora q faça seguro internacional que inclua a Bolívia. Cm vc fez?
    Desde já muito obg pela atenção Rogério.

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  6. Opa!! Na Bolívia emitimos apenas a Declaração Jurada. A informação é que eles preenchem lá, mas você teria uma dificuldade de entendimento com eles, nós levamos preenchido.
    O formulário esta no site : http://anbsw01.aduana.gob.bo:7601/sivetur/Parametro.jsp

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  7. Otimo Rogério. Vou levar preenchido sim. E na questão do seguro tipo "carta verde", como vc fez?

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  8. A carta verde você consegue com qualquer corretor de seguro de veiculos, se você tem Seguro da Porto Seguro eles te dão de graça, rsrsrs tem que informar o periodo que irão ficar fora.

    Você vai para o Chile ou para o Peru também?

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  9. Vou sair do Brasil pelo Paraguai, depois entrarei na argentina e depois Chile. Vou passar uns dias em San Pedro do Atacama e depois seguir para Uyuni. De lá vou para Copacabana e seguirei para o Peru, Cusco. Meu seguro eh da Porto Seguro. + entrei em contato cm eles e eles falaram que não inclui a Bolívia. Inclui apenas países integrantes do MERCOSUL. Já entrei em contato cm várias seguradoras e não tô conseguindo uma que faça seguro que inclua a Bolívia =(

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    1. Bolivia não tinha e creio que ainda não tem em seguro, apenas a Declaração Jurada, a Bolivia não faz parte do Mercosul, mas é associada.

      No Chile tem o Soapex e só tem uma operadora que vende, é a Magallanes

      No Peru é o SOAP - O seguro peruano creio que ainda não é vendido via internet e nem no Brasil, deixamos para comprar no Peru, mas tivemos que dar uma propina para o policial peruano, foram 100 SOLES, r$ 95,00 para as 5 motos.
      Depois que pagamos o policial nos disse que poderíamos comprar na próxima cidade.

      São membros plenos do MERCOSUL: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. São estados associados: Bolívia, Chile, Peru, Colômbia, Equador. Para saber se os estados associados também estão cobertos em seu seguro, basta perguntar diretamente a sua seguradora com essa informação.

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  10. Fiz meu SOAPEX pela HDI seguros, totalmente online!
    Recomendo!

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