terça-feira, 23 de junho de 2015

Curvas - o medo de muitos

Caracoles Chilenos
Divisa Chile e Argentina
Ruta CH-60
         Um dos grandes medos no motociclismo é a tal da curva, no início eu também tinha pavor, em meu pensamento sempre teria pedrinhas e óleo na pista, ou então que não iria dar conta no "deitar" a moto nas curvas, hoje eu gosto de fazer uma curva bem feita e tenho respeito nessa hora,

          Ter conhecimento de algumas regras é essencial, ideal seria treinar em algumas estradas com curvas próximas de casa para poder enfrentar uma viagem mais longa com segurança, afinal, o medo trava nossos braços, os músculos ficam enrijecidos.



          Existem estilos de motos diferentes como sabemos, entrar numa curva com uma modelo custom da mesma forma que entrar com uma big trail é um risco, as custons são mais baixas e péssimas por natureza para se fazer curvas fechadas em baixa e alta velocidade, elas podem tocar o chão, é o caso da Yamaha Midnight onde as pedaleiras encostam no chão quando ficam muito inclinadas.

          Independente de estilo de moto, entrar numa curva com segurança requer diminuir a velocidade, afinal, nas curvas mais fechadas não se sabe o que se encontrará pela frente, pode haver um buraco, um obstáculo, um caminhão parado, enfim. Em princípio, não se deve frear no meio da curva, a redução deve ocorrer antes de entrar nela. Mesmo nas curvas a moto possue uma pequena capacidade de frenagem, desde que não estejam sendo realizadas curvas demasiadamente inclinadas. Numa emergência, se perceber que passou do tempo, use os freios de forma suave para não derrapar.

          Além de reduzir a velocidade, é importante você fixar o olhar no trajeto em que você deseja fazer, lá na moto escola, quando ainda pensavam em tirar a carteira o instrutor falou: "não olhem demasiadamente no buraco, é lá que a roda de sua moto vai passar" - Então, quando estiver numa curva, não olhe para o acostamento e nem nos carros que estão vindo, foque no trajeto a ser realizado.

          Em relação ao corpo, no caso de curvas extremamente fechada e em baixa velocidade, existe uma técnica chamada "contra peso", a qual consiste em inclinar o corpo do lado oposto ao da inclinação da moto, nessa situação você deve inclinar muito a moto e se você deitar para o mesmo lado serpa tombo na certa, pois não tem a força centrífuga necessária para contrabalançar a força da gravidade, aprendi isso com meu amigo Oziel (conhecido Tampa, campeão paranaense de motocross no passado). Essa técnica pode ser usada também para desviar de um buraco ou de um veículo que corta a sua frente.


          Já os motociclistas de bikers, que andam em alta velocidade, esse se utilizam da técnica de "Hanging-Off" ou "pêndulo", que consiste em praticamente sair da moto, ficar de lado, colocam o corpo para fora e para baixo da moto, diminuindo assim o centro de gravidade do conjunto, chegando a tocar o joelho no solo. Com isso eles conseguem fazer as curvas inclinando menos as motos, mas para utilizar essa técnica é necessário estar em altíssima velocidade, ou seja amigos, melhor utilizá-las nos autódromos.








         Uma outra técnica para fazer uma curva é o contra-esterço, mas não é indicado nos casos de velocidade abaixo dos 40 km/h. Essa técnica consiste em girar o guidão para o lado contrário ao da curva, incrível né? Mas funciona e esta relacionado às leis da física, quando eu tenho uma roda girando e provoco um movimento para algum lado horizontal, seja esquerda ou direita , a reação do conjunto, nesse caso a motocicleta e até mesmo o piloto é a de virar justamente para o lado contrário. Quando estiver sozinho numa estrada tranquila, numa reta mesmo, experimente virar bem pouquinho o guidão para um dos lados, você sentirá seu corpo indo para o lado oposto, depois que você certificou-se disso, comece a utilizar e lógico.

          Bom, para mim a posição preferida para efetuar a curva é técnica da “posição neutra” consiste em inclinar o corpo e a motocicleta igualmente, no mesmo grau e no mesmo sentido. O motociclista inclina-se perfeitamente alinhado com a motocicleta. A força da gravidade e a força centrífuga estão em perfeito equilíbrio. Esta técnica é a mais fácil, a mais estável, a mais segura, a mais recomendada. Incline o corpo juntamente com a moto na mesma medida. O grau de inclinação vai depender do estilo e do tamanho da moto, da velocidade, do raio da curva e da aderência da pista. Quanto maior for a velocidade e o grau da curva, maior será a inclinação requerida do conjunto (moto e motociclista). Suas pernas devem abraçar a moto, como se estivesse sobre um cavalo, através das pernas o piloto consegue manter o equilíbrio da moto.

          Cada moto possui o seu limite e cabe ao piloto conhecê-lo, além do seu próprio. O piloto deve iniciar o movimento de inclinação em velocidade constante. A aceleração deve ocorrer na saída da curva. Na técnica da “posição neutra”, a mais recomendada como já dissemos, muito embora o corpo do piloto esteja inclinado, durante a curva, a cabeça deverá permanecer ereta, fixando o olhar para o ponto mais adiante possível, visando antecipar-se a surpresas como óleo na pista, areia solta, buracos, obstáculos, animais, veículos na contramão, etc.





3 comentários:

  1. Quero comprar minha primeira custon e meu maior medo é de nao me acostumar com a postura para curvas com a altura enfim... suas dicas ajudaram com algumas dúvidas. Valeu

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    1. Legal Daniel, mas não deixe de comprar sua custon para andar na estrada com a gente. Mesmo pegando as pedaleiras no chão em algumas curvas, tenho saudades de minha Midnight, se tivesse dinheiro suficiente manteria as duas motos, a Vstrom e a Midi.
      A boulevard 800 é uma boa moto, um pouco mais alta.

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  2. Caro Rogério, muito boa sua dica para os cuidados em curvas. Principalmente para a cautela de entrar em velocidade que permita algum tipo de correção diante de imprevistos.
    No dia 1º de abril deste ano, passeio por uma situação que vale a pena compartilhar. Fazia o passeio entre Salta e Cafayate, na Argentina, manhã de sábado linda e ensolarada, sem maiores preocupações. Próximo de Talapampa entrei em uma curva deliciosa a 110km/h, quando me deparei com uma camada de lama na pista, aproximadamente 15 metros de extensão, com 10cm de altura.
    A regra de endireitar a moto e passar reto não considerei, pois do outro lado havia um rio e uma ponte... Freei para reduzir a velocidade e ver o que daria para fazer então, só que o asfalto já estava sujo e me jogou para fora da pista, dei mais uma garfada no freio no ripel do acostamento, e puxei de volta para a pista para então tentar passar reto, só que faltou espaço para tudo isto... voltei já na lama, e a moto deslizou para um lado, eu para outro e a garupa para outro.
    Vejam que falei de uma manhã linda e ensolarada, de onde saiu o mar de lama??? O rio, degelo dos Andes, saiu do curso e trouxe a terra da lateral da pista, formando uma lama fina e fatalmente imprevisível.

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