Rota das Missões - Rio Grande do Sul


         A Região das Missões está localizada a noroeste do Rio Grande do Sul é composta por 46 municípios que são divididos em duas grandes rotas: Missões e do Rio Uruguai, que não coincidem com as microregiões. Um dos seus atrativos mais conhecidos são as ruínas jesuíticas do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, declaradas Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983. Andar pelas Missões é reviver a saga dos jesuítas que, em 1609, atravessaram o mundo para conviver com os guaranis dentro dos princípios da fé cristã.

          A Região das Missões possui uma rica diversidade cultural graças ao grande número de etnias que se instalaram na região, como os alemães, italianos, poloneses, russos, portugueses, espanhóis, afro-brasileiros, árabes, franceses entre outros. Algumas cidades sofrem maior influência alemã, como Santa Rosa, Santo Cristo e São Pedro do Butiá. Em outras cidades, destaca-se a presença italiana.

          Em Guarani das Missões destaca-se a presença dos descendentes poloneses, por isso sendo chamada a Capital Polonesa dos Gaúchos. Em algumas cidades não há uma etnia predominante, por abrigar várias etnias, como em Santo Ângelo e Ijuí.

          Os missioneiros, como são conhecidos os habitantes da Região das Missões, possuem grande apreço à cultura gaúcha. Em quase todos os municípios, os tradicionalistas se reúnem nos Centros de Tradições Gaúchas, onde cultivam as tradições e costumes gaúchos.

Não deixe de ver

São Miguel das Missões


          O Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo, local onde encontramos vestígios arqueológicos das missões Jesuítas de São Miguel Arcanjo, também chamadas de "Reduções", fundada pelos Padres Jesuítas e Índios Guaranis em 1687. Em 1938 foi declarado Patrimônio Nacional e em 1983 a UNESCO reconheceu como Patrimônio da Humanidade pela importância histórica e cultural que representa. O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) - ligado ao Ministério da Cultura - é o responsável pela sua conservação e preservação.

*** Redução Jesuíta - era um dos nomes dados às Missões Jesuitas na América





          O Espetáculo "Som e Luz", através do qual é possível compreender como surgiram, desenvolveram e foram destruídos os 7 Povos das Missões. Com duração de 48 min., é apresentado diariamente ao anoitecer. Vários atores famosos fazem parte do espetáculo como: Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Juca de Oliveira, Armando Bógus, Maria Fernanda entre outros;

          Na região é possível realizar cavalgadas e caminhadas, podendo assim apreciar melhor a riqueza cultural e natural da região e também realizando umas paradas para saborear as deliciosas tortas de Santo Ângelo.

          Conheça São Borja, a Cidade dos Presidentes, a terra-mãe que acolheu em seu ventre, para o descanso eterno, personalidades políticas e literárias da nossa história, além de registrar a arte arquitetônica, nas mãos de Oscar Niemayer, na Igreja Matriz São Francisco de Borja e no Mausoléu de Getúlio Vargas. 



Os Sete Povos das Missões


          Sete Povos da Missões ou Missões Orientais são sete aldeamentos habitados antigamente pelos indígenas e fundado pelos jesuítas na região que é hoje o estado do Rio Grande do Sul. Faziam parte as seguintes missões:



São Francisco de Borja

          A primeira a nascer, fundada pelo padre Francisco Garcia, era uma extensão da redução de Santo Tomé, de onde saíram 195 pessoas. Nela trabalhou o Padre José Brasanelli. Em 1707 esta redução contava com 2814 habitantes. Desta redução nasceu a cidade de São Borja.






Estação ferroviária de São Luiz Gonzaga 

São Luiz Gonzaga

          Sua origem está na transferência, em 1687, de 2.922 pessoas que antes habitavam as reduções de São Joaquim e Santa Tereza. O Padre Alfonso del Castillo, Superior de todos os Povos, liderou a fundação. O 1º Cura foi o padre Miguel Fernandez. Em 1707 sua população se havia reduzido para 1.997 almas. Foi a origem a cidade moderna de São Luiz Gonzaga.







São Nicolau

Sobrado da Família Silva
          Sua população antigamente habitava este mesmo local, na redução fundada pelo padre Roque Gonzales em 1626, mas havia sido expulsa pelos ataques dos bandeirantes de Francisco Bueno. Passaram para a Argentina e fundaram a redução dos Apóstolos, para onde afluíram refugiados também da redução de Tapes. Em 1687 estes povos se uniram e voltaram ao Rio Grande, e refundaram São Nicolau em 2 de fevereiro.

          Este renascimento foi marcado por um ciclone e um incêndio, desastres que destruíram boa parte das instalações, incluindo a igreja. Mas logo a redução voltou a se recompor, reconstruindo o templo em pedra sob a orientação do padre Anselmo de la Matta. Chegou a possuir 7.751 pessoas em 1732, e deu origem à cidade de São Nicolau.




São Miguel Arcanjo

          Seu primeiro fundador foi o padre Cristóvão de Mendonça, em 1632, que igualmente atacado por predadores bandeirantes, abandonou o local com os índios e se refugiaram em Concepción, no Paraguai. A volta aconteceu em 1687, com o deslocamento de 4.195 pessoas. E três anos já estava quase completa, com a casa dos padres e cem outras para os índios.

          Em 1697 São Miguel foi dividida, indo 2.832 pessoas fundar a redução de São João Batista. Em 1707 possuía 3.110 habitantes. A igreja foi obra do padre João Batista Primoli, que de 1735 a 1744 a levantou empregando somente operários indígenas.

          Suas ruínas são ainda visíveis nos dias de hoje, pertencentes ao município de São Miguel das Missões, constituindo o mais importante sítio arqueológico de sua natureza no estado, tendo sido declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, junto com outras ruínas no Paraguai, Argentina e Bolívia.




São Lourenço Mártir

          Foi fundada em 1690 com nativos de Santa Maria Maior, descendentes dos fugitivos de Guaíra, que se instalaram no local liderados pelo padre Bernardo de La Veja. Em 1731 eram 6.400 os habitantes deste Povo. Seus remanescentes estão localizados em São Lourenço das Missões, no município de São Luiz Gonzaga.






São João Batista

Ruinas da Redução de São João Batista
          Fundada pelo padre Antonio Sepp, um polímata que dominava a música, arquitetura, urbanismo, relojoaria, pintura e escultura. Foi seguido por 2.832 pessoas oriundas da redução de São Miguel. Os trabalhos na igreja iniciaram em 1708, quando já havia 3.400 pessoas habitando o aldeamento. Sob orientação de Sepp esta redução mostrou alto nível de atividade cultural. Suas ruínas se localizam na cidade de Entre-Ijuís.

          Sepp também foi um geólogo e minerador, extraindo o primeiro ferro das Missões, fazendo instrumentos variados e até os sinos da igreja do seu Povo. Sua obra-prima foi o relógio instalado no campanário da igreja que, ao dar as horas, fazia desfilar pelo mostrador os 12 Apóstolos.



Santo Ângelo 

Catedral de Santo Angelo
Santo Ângelo foi o último município dos Sete Povos das Missões a ser fundado, em 1706, pelo jesuíta Diogo de Haze, belga de nascimento. Mesmo com uma estrutura semelhante às demais reduções, o povo de Santo Ângelo prosperou muito economicamente, tornando-se, na época, o maior produtor de erva-mate e o mais rico. A derrocada do Sétimo Povo das Missões Orientais do Uruguai acontece pelas mesmas causas das outras seis reduções: o litígio formado com a demarcação estabelecida pelo Tratado de Madrid (1750) e suas consequências políticas.

          A nova Catedral Angelopolitana está localizada no mesmo lugar da primitiva igreja missioneira de 1707. Seu estilo imita a catedral da Redução de São Miguel Arcanjo, com traços renascentistas e barrocos.


          O declínio dos Sete Povos começou durante o século XVIII. A região estava sendo disputada entre os espanhóis e portugueses. Ficou acertado através do Tratado de Madri, firmado em 1750, que Portugal trocaria a Colônia de Sacramento (para os espanhóis) pela região em disputa, desde que os espanhóis retirassem os jesuítas. O problema é que ninguém queria sair, nem os jesuítas, nem os índios e até mesmo os portugueses, que não queriam deixar Sacramento.

          Os índios, que recebiam instruções dos jesuítas, se armaram e os confrontos foram inevitáveis. A mais dolorosa guerra das missões foi a Guerra Guaranítica. Em 1753 os índios guaranis se nem a deixar as suas terras, um ano depois a guerra eclode. Portugueses e espanhóis se aliam e dois anos depois os guaranis são derrotados. Os jesuítas também sofreram já que foram expulsos de solos brasileiros e os índios dispersaram. Enfim, as missões foram abandonadas.

A Rota das Missões é formada pelas cidades:

Bossoroca
Catuípe

Cabaité
Cerro Largo
Dezesseis de Novembro
Entre-Ijuís
Eugênio de Castro
Garruchos
Giruá
Guarani das Missões
Ijuí
Mato Queimado
Pirapó
Porto Xavier
Rolador
Roque Gonzales
Salvador das Missões
Santo Ângelo
Santo Antônio das Missões
São Borja
São Luiz Gonzaga
São Nicolau
São Paulo das Missões
São Pedro do Butiá
Sete de Setembro
Ubiretama
Vitória das Missões


Rota do Rio Uruguai
Alecrim
Alegria
Boa Vista do Buricá
Campina das Missões
Cândido Godoi
Doutor Maurício Cardoso
Horizontina
Independência
Nova Candelária
Novo Machado
Porto Lucena
Porto Mauá
Porto Vera Cruz
Santa Rosa
Santo Cristo
São José do Inhacorá
Senador Salgado Filho
Três de Maio
Tucunduva
Tuparendi


Ruinas São Miguel Arcanjo

Portal São Miguel das Missões

Museu São Miguel das Missões




Prefeitura de Santo Angelo
Igreja Nossa Senhora de Lourdes São Luiz Gonzaga.
Sítio Arqueológico de São Lourenço Mártir






Fontes:
http://ludmilasaharovsky.com/2012/06/3521.html

3 comentários:

  1. Em 2014 fiz a rota das missões, passando pelas principais cidades no RS e depois segui para Argentina na província de Missiones, e Paraguai visitando os principais ruínas das Reduções Jesuitas, sendo São Miguel das Missões no RS, de Encarnación em Trinidad no Paraguai e San Ignácio Mini na Argentina. Passeio altamente cultural que recomendo.

    José Ricardo
    Uberaba - MG

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  2. Nós passamos agora em abril, mas chovia muito, pretendemos retornar em breve.

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  3. Excelente matéria, parabéns!

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