terça-feira, 1 de novembro de 2016

Instrutor Amaral

          Quando se fala em cursos de pilotagem defensiva o primeiro nome que nos vem à mente é a do Instrutor Amaral, Expedições Latinas foi conhecer um pouco mais sobre este paulista que é uma referência  no motociclismo nacional.

          Carlos José Amaral, ou simplesmente Instrutor Amaral, é dono de um currículo extenso,  é o responsável pedagógico da Carlos Amaral & Zuliani Motorcycle Training, escritor de artigos sobre técnicas de pilotagem defensiva e comportamentais e avaliador de performance (piloto de testes). Autor do Guia de Pilotagem Segura, produzido e editado pela Porto Seguro Cia. de Seguros Gerais. Instrutor de Pilotagem e Palestrante na empresa Carlos Amaral & Zuliani Motorcycle Training e na empresa Porto Seguro Cia de Seguros Gerais. Instrutor de Trânsito formado pelo Detran, com matérias Direção Defensiva, Engenharia de Trânsito, Primeiros Socorros e Legislação de Trânsito. Treinado e certificado pelo Centro Educacional de Trânsito da Honda ( CETH).

          Carlos Amaral também é consultor, palestrante e instrutor exclusivo da Porto Seguro, Cia de Seguros Gerais, Consultor de Trânsito e professor de Geografia e História para o ensino preparatório de vestibulinho, na Escola Paulista de Idiomas. Ministrou aulas em vários CFCs, o principal CTTRAN , na especialidade Direção Defensiva e Mecânica Básica.

          É lógico que além de todas as especializações acima, o Instrutor Amaral é um amante das estradas, onde realiza suas pesquisas experimental conhecendo os motociclistas de diversas cidades brasileiras. Vamos à nossa entrevista:



Quando começou sua paixão  pelo motociclismo?

- Difícil dizer quando começou esta paixão e esse amor. Sempre gostei de desafios e a moto é um grande desafio. É um veículo que traz estilo e individualidade. Foi em uma época de minha infância\adolescência: nunca tive a oportunidade de fazer algo diferente e sempre vi nos motociclistas um diferencial em seu modo de vida que me agradava. Um dia vi na capa de uma revista um modelo de moto que adorei. Era uma tal da Havalone ( acho que era este nome) 1000. Meu Deus! Que moto linda ( pelo menos a foto era linda) Deste dia em diante eu disse a mim mesmo: vou ter uma igual. Foi aí que começou minha fissura por motos.Quando cresci, eu consegui uma quase igual: BMW R 1100 RT. Gostava de moto Touring, ainda gosto.





Qual foi sua primeira moto?

- Minha primeira moto ( minha mesmo, pois só pilotava a dos outros), foi uma Cagiva 900, ano 94, zero km comprada na loja Alexandre Barros, em São Paulo. Ainda não havia andado em Mobilete, somente em Turuna, TT 125 e uma RD 350 que quase morri, pois não sabia que motor 2 tempos não tem freio motor, rsrsrsrs. Quase desisti de moto! É, meu amigo, sou novinho nas motos.

A Cagiva 900 é uma moto relativamente grande, o que te levou escolher uma modelo big trail? Teve alguma dificuldade no inicio?

- Por que a Cagiva? Bem, parece loucura, mas eu sempre assistia o Paris Dakar e lí o livro do Jean Azevedo sobre sua vida nesta competição. Adorava estes estilos, pois era aquele diferencial entre os pilotos. Viajar em lugares inóspitos, conquistar desafios que parecem impossíveis de serem conquistados, diversão e crescimento próprio. O fora de estrada é tudo isso, embora minha especialidade não seja o off road, pois estou bração neste tipo de pilotagem ( eu disse estou e não sou, pois com treinamento podemos conquistar nossos sonhos). Mas, na verdade, eu queria a África Twin 750, lembra dela? Foi, então, que conheci uma jovem, dona de um café em frente ao meu estabelecimento, que adorava off-road, e conhecia a Itália. Então, ela deu-me a sugestão de pesquisar sobre esta moto. Pesquisei, gostei e comprei. Aliás comprei duas dessas, uma 94, depois a 95 e em outro ano comprei a Super Ténéré 750 e em outro ano mais uma Super. Caramba! Comecei logo nas grandes? Sim, talvez seja loucura, pois sem treinamento poderia me arrepender. Meu estabelecimento era um estacionamento que, aos domingos, era vazio. Eu treinei muito com ela antes de me aventurar por aí. Eu ainda nem pensava em ser um instrutor.


Como veio a ideia de se transformar num instrutor de trânsito?

- A ideia de tornar-me instrutor veio por dois principais motivos:- Sempre trabalhei com vendas. Fui vendedor, supervisor e gerente de vendas em uma empresa de assistência médica. Ganhei muito dinheiro, comprei as motos que queria e, um dia, a empresa quebrou! Fui, assim, procurar emprego. Montava em minha BMW e ia de lugar a lugar, mas nada!. Até que um tal de Akira me ajudou e deu-me um cargo de vendedor de moto e consórcio Honda em sua loja: Akira Motos. Lá, a Honda me treinou como vendedor e tive um cargo de Monitor de Treinamento. Então eu treinava novos vendedores sobre técnicas de vendas voltada exclusivamente ao produto moto. Precisava, assim, conhecer TODAS as marcas, TODAS as motos e modelos e estilos e etc, para poder treinar com eficiência meus vendedores. Um dia abençoado, a Honda convidou todos os proprietários de concessionárias a fazer um curso de pilotagem defensiva, ministrada em Indaiatuba -SP. O Akira e seu irmão YU me convidaram para esse curso. Querido Rogério, foram 4 dias de puro conhecimento e muito treino nas motos. Foi aí que percebi que eu só pensava que sabia pilotar. Cara! Foi incrível! Eu nunca percebi quantos erros eu cometia em minha pilotagem e tive certeza que Deus existe, pois não sei como eu não me acidentei feio neste período de escuridão na pilotagem. Opa! Acidentei-me sim, feio e quase morri. Este é o motivo principal de eu me tornar instrutor.

Você orienta e passa dicas de segurança de pilotagem, já passou por alguma situação indesejável sobre duas rodas? Como foi esse acidente que você mencionou?

- Esta resposta é o principal motivo de eu ser um instrutor. Sim, tive um acidente feio que me fez refletir sobre minha vida e minha falta de humildade. Antes de eu trabalhar diretamente com moto, na loja AKIRA MOTOS, minha vida como motociclista era inconsequente e irresponsável. Achava que eu era o tal, o piloto, o cara! Tinha uma W Suzuki 1100, com 150 cv, preta e vermelha, linda, veloz, super esportiva e nenhuma experiência técnica, mental e emocional. Um dia, na Marginal Pinheiros, sábado de 1996, levei um tombaço ao frear de forma repentina, por causa de uma fechada, mas eu estava a 160 km\h e frenar uma moto esportiva, sem ABS, sem experiência, hummm!!!, no mínimo o piloto voa por cima da moto. Mas ela saiu de frente, jogando meu corpo para o meio da Marginal e minha primeira esposa para debaixo do guard-rail , parando quase dentro do rio Pinheiros. Bem, esta história é longa. Mas foi neste momento, onde quase fui suicida e assassino que percebi que o errado era eu, e não os outros. Minha ex esposa e eu estamos vivos, graças a Deus, para contar a história. E, quando tive a oportunidade de ser treinado pela Honda percebi o quanto eu não sabia nada de pilotagem defensiva. Nada mesmo!!!. Precisava, em meu íntimo, ensinar outros a não ter a mesma má experiência que eu tive em 1994. Mas esta história aconteceu três anos antes de me tornar instrutor.

Que bom que você passou a ministrar cursos! E ha quanto tempo você ministra cursos de pilotagem defensiva?

- Ministro cursos deste 1996, para clientes da Akira Motos, de modo particular, indo na casa deles, no condomínio fechado, na rua, pois não havia infra-estrutura, ou um lugar seguro para ministrar um bom curso. Mas, também, me formei como instrutor de trânsito, graças ao incentivo da Akira Motos, no Detran SP., em 1999. Desta forma, comecei a ministrar cursos para alunos de 1ª habilitação, legislação de trânsito e etc, em CFCs da vida. Neste período já não trabalhava mais com o Akira, mas sim com a Mila Moto, em Jundiaí - SP. Trabalhava o dia inteiro como vendedor e, as 18 horas pegava a minha CBR 1000 ano 92, "voava" para SP ministrar as aulas no CFC. Minha homologação pelo Detran oficializa minha profissão como instrutor de trânsito. Minha certificação na Honda oficializa minha especialização em motos. Em 2006, depois de eu ser assaltado em SP, obrigando - me a afastar da Mila Moto, passando pela Kasinski, Sundow,e Yamaha, o Akira me convidou para, desta vez, abrir um departamento de pilotagem defensiva para sua concessionária Honda. A Akira Motos conseguiu um excelente espaço na Moóca, com a subprefeitura, para ministrar os cursos. Então, de 2006 até 2008 ministrei cursos práticos, todos os sábados. Ganhei ,muita experiência, pois em dia de semana treinava os vendedores e nos finais de semana treinava os clientes em suas moto. Foi moto na veia todos os dias de 2006 a 2008.Não posso me esquecer da concessionária Monte Leone, onde seu gestor, o Sr. Mauro José, foi outro grande colaborador para minha profissão.

Seus cursos são apenas "on road" ou você atende também pilotos "off road"?

- Minha experiência é no on road, por circunstância e facilidade de logística. Mas sou formado pela Honda e em outras duas escolas no off road. É um grande desejo eu ministrar off, mas ainda não estou preparado para isso. Mas eu ministro um curso que chamo de OFENSIVO, para policiais privados, em uma empresa de segurança pessoal e patrimonial, uma vez por ano. O foco desse curso é fuga, proteção de VIPs, escolta armada em motos, com controle de derrapagens e drift. É um curso não divulgado, pois é particular e não pode ser visto na mídia.

Você é instrutor, mas você também se recicla periodicamente? Busca novas técnicas?

- Sim, reciclo quando consigo sair de minha agenda e sobrar um dinheirinho para pagar outros cursos. Minha ultima reciclagem foi com o curso Speed Master, do mestre Tite Simões, o qual imito muito suas técnicas de ensino. Estou programando um curso no Portal Big Trail, com o instrutor Herbet, em Minas Gerais. Acredito que todo aquele que possui técnicas Off - Road, pode pilotar no On Road de olhos fechados.

Qual o perfil de seus alunos? Você também é procurado por profissionais motoboys?

- O perfil de meus alunos é variável. São aqueles que trocam de moto e não conseguem se adaptar, são os novos em experiência e com muita experiência. Mas é uma pena que as motos menores, é pouca a procura de meus cursos. No entanto, muitos já estão se conscientizando com isso. Tenho uma leva de clientes e empresas de moto fretes que obrigam seus colaboradores a fazer meus cursos. Mas, individualmente, o moto boy não procura, se não fosse a obrigatoriedade destas empresas parceiras, não teria eu o privilégio de ministrar cursos para estes combatentes do trânsito. Fico feliz que meus alunos são os de cabelos brancos e jovens, conscientes de sua necessidade de aprendizagem

O que você procura passar a seus alunos? 

- Passo aos meus alunos e ouvintes de minhas palestra que a principal causa dos acidentes não está na falta de técnicas, mas sim na falta comportamental humana, na ansiedade das pessoas, na falta de respeito com o próximo, na falta da empatia no trânsito. Enfim, a causa emocional. Tento treiná-los a equilibrar as emoções com a razão, pois a moto é pura emoção, mas a razão, o racional precisa estar presente nas atitudes do piloto.



Saber pilotar e controlar uma moto é importante, mas não é tudo, quais são as atitudes pessoais necessárias para ser um bom motociclista?

- Tento mostrar 7 atitudes principais para um comportamento sadio em cima de uma moto, ou dentro de um carro, ou passeando a pé na calçada: Ter CONHECIMENTO e aplicar o que conhece. Ter ATENÇÃO e priorizar o que é mais importante no trânsito. Ter PREVISÃO e acreditar que pode acontecer com você e não somente com os outros, por isso preparar-se para possíveis acontecimentos que não acredita que possa acontecer. DECIDIR com precisão as escolhas que faz no trânsito. HABILIDADE suficiente para uma boa técnica de pilotagem, mas que esta habilidade não se torne perigosa, com o excesso de confiança, mas sim ter a alto confiança. Ter MEDO, pois o medo protege e trás a lembrança do respeito à vida. Acreditar em sua INTUIÇÃO. Se não acreditar em sua intuição, acredite na de sua esposa ou em qualquer mulher em sua vida. Elas sim, têm intuição.

Expedições Latinas sempre publica algo relacionado a pilotagem defensiva, você poderia relacionar algumas vantagens de ser um motociclista defensivo?

- Vantagem em ser defensivo? Pergunte-se: se defender de que, ou de quem? Será que conhecemos os principais erros dos outros? Conhece os seus erros? Quando o motociclista, o motorista, o ciclista, o pedestre e etc se conscientizarem que o ser humano erra, então poderemos saber a importância de sermos defensivos.

Para tirar uma CNH, além do conhecimento de legislação, o Detran exige apenas um teste realizado em primeira marcha e utilização de sinais de trânsito, isso é suficiente para o motociclista estar preparado para enfrentar as ruas?

- Escrevi um artigo para o Portal Motonline que pergunto: Para que serve a CNH? A resposta: para estar dentro da lei de trânsito. Mas ela não serve, infelizmente, para a segurança no trânsito. Pena, pois os CFCs da vida lucram com papel, e não com a segurança. Culpa destas instituições? Não! Culpa de um modelo arcaico pedagógico que não se preocupa com seus instrutores, com a sociedade e com a vida.

Em grandes centros é comum motociclistas se arriscarem em corredores, qual sua opinião sobre essa prática?

- Corredores é uma área de escape, e não uma via de trânsito rápido. Existe uma diferença entre "corredores" e "ultrapassagens". Corredores são espaços ( até mesmo para carros oficiais) quando o trânsito está totalmente parado! Se os carros, ou outros veículos, estão em movimento, então os corredores desaparecem e se tornam ultrapassagens. O perigo maior está nas ultrapassagens, e não nos corredores, pois o mesmo espaço do motociclista é, também, do motorista que passa de uma faixa para outra. Este espaço aparece nas ultrapassagens O motociclista precisa de muita atenção, previsibilidade e decisão ao trafegar nestes espaços. Não quero dizer que os corredores não são perigosos. O perigo está na falta de atenção e previsibilidade do piloto e que acha que são pistas de alta velocidade. Precisamos entender que moto não foi feita para pessoas com pressa, pois de qualquer forma, no uso urbano, a moto sempre chega primeiro, mesmo sem pressa.

Gostaria que você falasse um pouco sobre sua empresa e como contratá-lo.

- Querido amigo, minha empresa é familiar, onde minha esposa Geórgia Zuliani é a administradora e a fotógrafa dos cursos. Meu filho, Thiago Zuliani, me ajuda nas operações nos cursos práticos, e tenho um grande amigo Caê, que nos ajuda nos eventos práticos. Minha estrutura é ter um espaço e amigos para a divulgação de meus cursos. Aliás, meus alunos são os maiores divulgadores de minha empresa que nem sei como agradecer a eles. Minha empresa possui vários parceiros, onde ministro cursos e palestras. A maior e a grande divulgadora de meu trabalho é a Porto Seguro Cia de Seguros Gerais, que oferece Cursos e Palestras gratuitamente para seus segurados. Caso queiram, acesse meu site www.amaralinstrutor.com.br , meu email amaralmoto@globo.com ou telefonem 011 9 75902040. O fone fixo mudou e ainda não tenho o número. Bem, estarei sempre a disposição daqueles que amam a vida.


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Nós, Expedições Latinas, gostaríamos de agradecer pela entrevista concedida pelo amigo Amaral e esperamos que você leitor tenha apreciado a matéria. Valeu !!

Um comentário:

  1. Muito obrigado pela oportunidade de divulgar meu trabalho. Só peço desculpas pelos meus erros ortográficos. Pilotar uma moto é mais fácil do que escrever rsrsrs

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