sexta-feira, 29 de julho de 2016

Scotters, paixão de muitos....




          Esta matéria é uma homenagem a um apaixonado pelas Scotters, o grande amigo Newton Ito. Reza a lenda que numa certa tarde de domingo, conversando com seu amigo Coca Athaide, ele avistou algo metalizado sob um pé de café no quintal, então perguntou ao Coca se aquilo era o guidão de uma Lambretta, o que foi prontamente confirmado e ainda afirmado que debaixo daquele pé de café havia uma enterrada. A principio Ito duvidou, chegou próximo e viu a possibilidade daquilo ser verdade, então o Coca lhe disse: se você desenterrar ela é toda sua.

          E lá foi o nosso amigo Ito desenterrar a Lambretta, era uma modelo LI 64, como um bom entendedor de mecânica ele fez todos os reparos no veículo, mas não mexeu na lataria, manteve do jeito que estava. O fato é que hoje em dia o Ito participa de algumas corridas por aí afora, não tenho notícias de vitórias, mas a última corrida que tive a oportunidade de assitir ele chegou em último lugar, mas a alegria e a vibração dele contaminou a todos e a sua chegada foi mais comemorada do que o primeiro lugar



          As duas marcas de Scotters mais conhecidas do público brasileiro são a Vespa e a Lambretta, a Vespa é mais curta e gorda e a Lambretta é mais comprida e fina, o que difere uma e da outra e a posição dos motores onde a Vespa é no lado direito e o da Lambretta no centro, de acordo com Newton Ito, a sua preferência pelas Lambrettas em corrida esta no fato do centro de gravidade dela ser melhor nas curvas, muito embora as Vespas tenham mais vantagens nas retas.


Um pouco da história dessas duas pequenas notáveis




          Ferdinando Innocenti, italiano nascido em 01 de setembro de 1891, após concluir o 3° ano da escola técnica, junto-se ao seu pai um ferreiro. Aos 18 anos, iniciou com sua família um negócio de compra de ferro utilizado na drenagem dos pântanos de Maremma. O ferro era trocado por óleo, que era vendido gerando grandes lucros.


Em 1920 iniciou estudos sobre possíveis aplicações com tubos de aço. Após muitas dificuldades, com o grande crescimento econômico da Itália devido a política fascista na década de 20, Ferdinando trabalhou para o crescimento de sua indústria, fornecendo seus tubos de ferro para as mais diversas aplicações: Andaimes, torres de alta tensão, portões, cercas, postes, sistemas de irrigação, drenagem, canos, equipamentos de ginástica, esgrima, tubos para termoelétricas, gás, cilindros de ar-comprimido, tanques para vagões de trem, eixos para hélices, tubos para indústria automobilística, vidraceira e muitas outros. Usos muito variados, porém tecnicamente a produção dos tubos de ferro não era muito diferente.

          Após a II Guerra Mundial Ferdinando Innocenti, enfrentou o árduo trabalho da reconstrução de sua fábrica situada em Lambratte (daí o nome Lambretta), Milão, que havia sido vermelhouzida a uma pilha escombros e fumaça durante bombardeio dos Aliados. Percebeu neste momento que as necessidades primárias de seu país eram duas, a primeira era a de começar a produção de equipamento industrial e maquinaria pesada; e a segunda prover de um método barato e seguro o transporte da população.

          Ferdinando se uniu ao engenheiro Pierluigi Torre que idealizou um veículo de baixo custo de produção , barato de se manter, e com proteção melhor que uma motocicleta para as mudanças de tempo (chuva, frio, neve, etc.): a Lambretta.

          A produção da Lambretta começou em 1947, depois de um ano gasto com desenvolvimento e teste do novo protótipo. A primeira Lambretta foi inspirada num veículo militar modelo "Cushman", empregado pelo exército americano durante a II Guerra que era utilizado para transporte individual de uma divisão motorizada.

          Naturalmente foi batizada de Modelo UM, que tinha como característica um motor de dois tempos com um único cilindro, e enfadonho, mas eficiente pistão de 52 a 58 mm de diâmetro. Isto dava ao novo modelo, 123 cc de potência e 4.2 bhp desenvolvidos a 4400 rpm. Operando com taxa de compressão na relação de 6:1 , o Modelo UM desenvolvia até 33 quilômetros com 1 litro de gasolina, um ponto forte de venda, em uma Itália escassa em combustível. O chassi no qual esta pequena máquina estava montada, era um tipo de painel tubular, com um plataforma, no qual o piloto colocava os pés.



LAMBRETTA NO BRASIL

          A Lambretta foi a primeira fábrica de veículos do Brasil, saindo na frente até mesmo da indústria automobilística. A implantação da fábrica Lambretta do Brasil S.A.- Indústrias Mecânicas em 1955 , como uma licenciada da Inocentti, no bairro da Lapa em São Paulo, coincidiu com a moda mundial da motoneta ( scooter ), na década de 50. A produção entre 1958 e 1960, o apogeu da marca, superou a quantidade de 50.000 unidades por ano.

          Um dos pontos fortes da Lambretta era a boa estabilidade, devido ao baixo centro de gravidade proporcionado pelo motor próximo da roda traseira. O motor 2 tempos tinha boa refrigeração mesmo em Marcha lenta, proporcionada por uma ventoinha.

          A partir de 1960 foi lançado o modelo LI (corresponde ao modelo "série 2 " que foi lançado pela Innocenti na Itália em outubro de 1959) que substituía o eixo cardan por corrente, câmbio de 4 Marçoas, pneus aro 10" ao invés de 8" além de outras modificações, inclusive na versão Lambrecar.

          Em 1964 a fábrica lançava uma versão com um motor mais potente, O modelo X de 175cc. Muda sua denominação para Cia. Industrial Pasco Lambretta , fazendo apenas uma mudança da razão social: Pasco é a abreviatura de Pascowitch, nome do proprietário da empresa desde sua implantação inicial.

          Em 1970 Felipe Pugliese, então o maior acionista, comprou a fábrica juntamente com o empresário Oliveiro Brumana. mudando a razão social da fábrica para Brumana & Pugliesi S.A. - Indústria e Comércio de Motores e Veículos. Começou então uma tentativa de recuperação da fábrica: foram construídas novas instalações, na via Anhangüera, com 19 mil metros quadrados de área e 12 mil construídos. Foi adquirido maquinário completo para produzir uma 125cc nacional.

          Em 1971, numa tentativa de melhorar o mercado, a Lambretta lançou uma moto híbrida com motoneta, a Xispa, com projeto e componentes totalmente nacionais em versão de 150cc e 175cc que ficou em linha até 1979.

          Mas a indústria automobilística já tinha se implantado e o mercado das motocicletas se aquecia com a entrada das japonesas. A Lambretta quase fechou neste momento. Em 1976 a Brumana Pugliese lança o ciclomotor Ponei, utilizando componentes da Xispa e um motor parecido com o da Garelli, ficando em linha até 1980.

          O modelo LI evoluiu para a bela Cynthia lançada em 150 e 175cc, ao mesmo tempo que era lançada a MS150 que era mais estreita que a primeira e tinha as tampas laterais cortadas, pelo que recebeu o apelido de "mini saia".

          Mas faltou capital e a Honda e a Yamaha lançaram primeiro suas 125 cc, e o maquinário ficou guardado em um canto da indústria, sem qualquer utilização. A Lambretta parou de produzir a motoneta (scooter) e passou por uma grande crise. Finalmente em 1979, como último suspiro, lançou a Lambretta Br Tork nas versões 125P, 125T e de 150cc, voltado para o segmento de veículos populares com preços acessíveis.

          A fábrica faliu em 1982. Sua congênere na Argentina a Siambretta fechou as portas no final da década de 60. Hoje a Lambretta ainda é produzida na Índia pela "S.I.L" ( Scooters India Ltd) porém somente o triciclo conhecido como "Tuk Tuk".








          A Vespa é um veículo de duas rodas da Piaggio que ficou conhecida em todo o mundo e deu origem ao conceito de “scooter”. Conheça um pouco mais acerca da história da Vespa e saiba porque é que ela se transformou num dos ícones da sociedade italiana.

A origem da Vespa

          A Vespa foi uma moto desenhada e construída pela companhia italiana Piaggio depois da II Guerra Mundial, nomeadamente no ano de 1946 e ainda hoje continua a ser produzida em grande escala. Trata-se de um tipo de moto que se distinguiu dos demais pela sua simplicidade, robustez, elegância e, acima de tudo, baixo custo. Destacou-se pela facilidade de condução que proporcionava, não sujava a roupa dos motociclistas e possibilitava o transporte adicional de um passageiro. A sua produção foi um sucesso comercial estrondoso e permitiu que a Vespa se tornasse o meio de transporte preferido por milhões de pessoas em todo o mundo.


O contexto sócio-económico do pós-guerra

          A história da Vespa está intimamente relacionada com a história económico-social que se fazia sentir em Itália durante o pós-guerra da II Guerra Mundial. No ano de 1946, a Itália, à semelhança de muitos outros países europeus, encontrava-se no meio de escombros e com uma grave crise económica entre mãos por resolver. Era necessário reconstruir o país e re-erguer as principais infraestruturas. Nesse sentido, a Piaggio teve um papel preponderante, uma vez que garantiu um novo meio de transporte à população.





A Piaggio e o novo meio de transporte

          A Piaggio é uma empresa italiana de transportes que foi fundada no ano de 1884 por Reinaldo Piaggio e tinha sede em Pontedera, perto de Pisa. Depois da II Guerra Mundial, a família Piaggio procurou uma maneira de reinventar o seu negócio, dado que o país estava em ruínas. O presidente da empresa, Enrico Piaggio, filho de Reinaldo Piaggio, não se deixou intimidar pela conjuntura económica negativa que na altura se vivia e resolveu deixar o campo aeronáutico em busca de um novo meio de transporte, capaz de suprir a necessidade de locomoção básica da população italiana. Nessa perspetiva, a Piaggio criou uma moto utilitária para toda a população, de baixo custo, de forma a ser acessível a todos e que pudesse ser fabricada com a escassa maquinaria existente - assim nasceu a Vespa.





Os primeiros protótipos Vespa

Piaggio MP5 "Paperino", o primeiro
protótipo de Piaggio
          Em 1945 foi apresentado o primeiro protótipo, denominado de MP5, que mais tarde ficou conhecido como “paperino” ou “Pato Donald” em italiano. Este modelo teve menos de 100 unidades de produção e utilizava um motor de 2 tempos Sachs alemão de 98 cm3, com transmissão por corrente e 2 marchas. No entanto, este não foi aprovado por Enrico Piaggio, uma vez que não apresentava os atributos pretendidos. O segundo protótipo foi chamado de MP6 e depois de algumas melhorias na transmissão, embraiagem e pneus, foi lançado em Setembro de 1946. A chefia do projeto estava entregue ao inventor do helicóptero, o famoso engenheiro aeronáutico Corradino D’Ascanio, que havia sido um dos principais obreiros da emergente Força Aérea Italiana nos finais dos anos 20 e fazia parte dos quadros da empresa desde 1934. O presidente da Piaggio ficou encantado com este modelo e ao ouvir o som vibrante do seu motor exclamou que mais parecia uma vespa e o nome ficou para sempre.
As primeiras Vespas

          Em Abril de 1946, a Vespa foi apresentada ao mundo e surpreendeu pela graciosidade das suas linhas e pela forma como o seu criador tinha conseguido construir um veículo utilitário, dando início ao conceito de “scooter”. As primeiras 50 vespas saíram da fábrica de Pontedera enquanto se realizava a apresentação oficial e ostentavam as características seguintes:

  • Um motor de dois cilindros que apresentava 98 cm3, 3,5 cavalos de potência a 4.500 rpm e atingia a velocidade de 60 km/h;
  • Tinha uma caixa de velocidades de 3 mudanças, tanque de combustível de 5 litros de gasolina e um consumo médio na ordem dos 40 km/l;
  • Um design clássico, robusto e elegante;
  • Não tinha piso entre a dianteira e o banco, mas sim duas placas separadas;
  • Pela primeira vez, aparece no escudo o logótipo hexagonal da Piaggio, substituindo assim o antigo emblema utilizado na aeronáutica e que ainda aparece nos protótipos MP5 e MP6.


          A Vespa caiu imediatamente nas boas graças dos media e dos consumidores e o seu sucesso foi imediato e absoluto.

O sucesso da Vespa em todo o mundo

          O sucesso da Vespa é um fenómeno mundial que muito dificilmente será repetido. No final da década de 40, nomeadamente no ano de 1949, mais de 35.000 unidades tinham sido produzidas. Este é um período em que a Itália se encontrava a recuperar das feridas resultantes da II Guerra Mundial e a vespa passou a ser o meio de transporte de eleição dos italianos. Nos primeiros dez anos de produção, já haviam sido produzidos um milhão de exemplares, o que era uma marca histórica no panorama motociclístico mundial. Em meados dos anos cinquenta, além de Itália, a Vespa passou a ser produzida na Alemanha, Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Índia, chegando até à Indonésia. O seu sucesso ultrapassou fronteiras e não deixava ninguém indiferente à sua passagem.
Vespa como um símbolo da cultura italiana

          A Vespa marcou várias gerações e a venda de mais de 15 milhões de exemplares são a prova da notoriedade que a marca alcançou em todo o mundo. Tratava-se de uma moto utilizada por pobres e ricos e tornou-se um símbolo do estilo, identidade e cultura italiana. A Vespa ficou conhecida como um símbolo de liberdade e de esperança de uma nação que aguardava por um futuro melhor e foi um meio de transporte revolucionário na sua época. Não se tratava apenas de uma scooter, mas sim de um dos grandes ícones do caráter e elegância italiana. A Itália ficou conhecida como o país da vespa e esta teve um impacto social enorme em todo o mundo.


Dados corporativos

● Origem: Itália
● Lançamento: 23 de abril de 1946● Criador: Enrico Piaggio e Corradino D'Ascanio● Sede mundial: Pontedera, Pisa, Itália● Proprietário da marca: Piaggio C. S.p.A.● Capital aberto: Não● Chairman: Matteo Colaninno● CEO: Roberto Colaninno
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Presença global: 80 países● Presença no Brasil: Sim
● Segmento: Motociclístico● Principais produtos: Motonetas e scooters● Ícones: O design do veículo● Slogan: I love my world.
● Website: www.vespa.com


A marca no mundo

Com mais de 16 milhões de unidades vendidas desde seu lançamento, a VESPA comercializa sua gama de modelos em mais de 80 países ao redor do mundo. Os dois maiores mercados da marca são Itália e Reino Unido. Reconhecida como um dos marcos do design de veículos de duas rodas, um exemplar da VESPA está no Museu de Arte Moderna de Nova York, como exemplo da criatividade industrial italiana do século XX.

Você sabia?

● Com mais de 120 versões em pouco mais de meio século, VESPA foi um verdadeiro sinônimo de Itália, que por um longo período foi conhecida como o “país da Vespa”. Surgiu até um novo verbo na língua de Dante: vespizzare. Histórias não faltam sobre este charmoso inseto de duas rodas.

Fontes:
http://motoclube.com/artigos/historia-vespa
http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2009/11/vespa.html
Clube da Lambretta Sta Catarina (uma grande referência para o mundo da Lambretta)

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