domingo, 10 de julho de 2016

Cordilheira dos Andes e a folha de coca

Parada em Purmamarca - Argentina para
comprar balas de coca

          Falar em viagens para a Cordilheira dos Andes e não mencionar a folha de coca é deixar de contar parte da história, afinal, o consumo da folha de coca é orientado a todos que viajam pela região, esse assunto ainda causa um certo desconforto, muito embora a internet hoje nos traga muito mais informações e esclarecimentos, coisa que não acontecia antes da década de 90. 

          Vale lembrar que a folha coca não produz o mesmo efeito da cocaína, o consumo mesmo em grandes quantidades leva apenas à absorção de uma dose minúscula de cocaína.  A produção da droga é realizada através de extração, utilizando como solventes álcalis, ácido sulfúrico, querosene e outros.


          Para se ter uma ideia, em 93, o goleiro Zetti foi pego no exame antidoping depois de um confronto entre Brasil e Bolívia, em La Paz, pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Ele era reserva de Taffarel. Durante quatro dias, Zetti ficou suspenso pela Fifa, mas a CBF tratou de provar que o jogador ingeriu chá de coca e não fez uso de nenhuma substância que pudesse melhorar seu desempenho físico. O caso do goleiro foi o primeiro da história em que a Fifa voltou atrás após ter decidido pela condenação. O ex-jogador teve grande apoio da opinião pública e superou o incidente. Mas a história ficou marcada para sempre em sua carreira. 

          A folha de coca é usada há mais de 5.000 pelos povos da América do Sul. Na época inca, era mastigada pelos trabalhadores para suportar a fome, a sede e o cansaço nas altas altitudes, onde o ar rarefeito o frio torna o esforço ainda mais difícil. Além de aliviar esse desconforto, permitia que os trabalhadores carregassem menos comida consigo, graças a sua propriedade anorexiante. 






          Durante a colonização, constatando o uso quase religioso da planta, nas suas tentativas de converter os índios ao cristianismo, os espanhóis declararam a planta produto do demônio. O seu uso entre os espanhóis do novo mundo espalhou-se, sendo as folhas usadas para tratar feridas e ossos partidos ou curar a constipação/resfriado. A coca foi levada para a Europa em 1580.





          No Brasil o uso da folha é proibido, mas é consumida legalmente em países como Peru e Bolívia, na Argentina consegui comprar a bala de coca e confesso, ela é extremamente eficiente para amenizar os efeitos do chamado “soroche” (ou mal da altitude), que é o nome dado aos efeitos causados pela dificuldade do organismo em absorver oxigênio para suprir as necessidades do corpo em lugares de grandes altitudes, o alívio é imediato.

          Numa viagem ao Peru, acabei caindo no rípio e torcendo meu tornozelo, ao chegar na cidade de Oruro (Bolivia), a orientação que me passaram foi a realização de compressa com folha de coca e chegando em Puno, após uma chuva de gelo, no hotel nos serviram o chá de Coca para evitar o resfriado.

          Uma dica, caso você esqueça de adquirir a folha ou a bala de coca e venha a ter problemas com o "soroche", a orientação é deitar um pouco no chão, onde o oxigênio é mais concentrado. Isso é motivo de piada em nossas viagens, afinal minha esposa não sente os efeitos e esta sempre disposta, a justificativa é que ela esta mais próxima do chão devido sua estatura. 


          Geralmente o consumo é feito sob a forma de chá – nesse caso, a absorção do princípio ativo da planta é mínima. Aqui é importante ressaltar que o efeito do chá de folha de coca é inofensivo e em nada se assemelha àquele causado pelo uso de cocaína, justamente porque a folha de coca é apenas uma das substâncias que compõe a droga.

          Por ser nativa dos Andes, a folha de coca se tornou um dos símbolos da região. Também é encontrada em artesanatos e na joalheria, em peças de prata.










Nenhum comentário:

Postar um comentário