domingo, 22 de outubro de 2017

Perrengues na estrada que valem a pena

          Depois de passar alguns meses preparando uma viagem para um grupo de pessoas, observando cada detalhe, passando orientações, vendo e revendo roteiro, efetuando reservas de hotéis e guias turísticos, um pouco preocupado por misturar motos de baixa e alta cilindrada num percurso de mais de 6.000 km (2 Horizont ds Dafra), eis que o problema também aconteceu comigo.

          Viajamos num grupo de sete motos, duas Vstrom 1000, uma Tiger 800, uma Transalp, duas Horizont e uma HD . Primeiro vamos às Horizons - num trecho complicado na região um pouco a frente de Pampa del Infierno-Arg o asfalto voltou a ficar cheio de buracos, o recape foi mal feito e novamente em muitos trechos é preferível andar pelo acostamento. Ali, uma das Horizons foi atingida por uma pedra no radiador, um pequeno furo, mas ainda assim conseguiu chegar a San Pedro de Atacama onde foi possível fazer um conserto para o retorno.

          A outra Horizont teve uma situação mais complicada, nosso amigo infelizmente deixou de trocar o pneu e a relação, os quais já estavam meia vida, desobedecendo uma das regras da viagem. A orientação dada a todos e a todo momento é que se trocassem esses itens para a viagem e que pneu e relação antigos seriam usados após o retorno da viagem. A consequência disso foi um pneu furado devido à fragilidade da borracha e a corrente  escapando por duas vezes, sendo que na segunda vez parece houve uma queda, Digo "parece" por que eu não estava junto, e porque eu não estava junto?

          Eu não estava junto porque minha moto apresentou problema elétrico, de Purmamarca até Corrientes eu vim me arrastando na estrada, Não consegui resultado ao tentar ligar a moto em Purmamarca, apelei para a transmissão de energia via cabo, a famosa chupeta. Dali eu consegui levar a moto até Salta, onde a mesma "morreu" a três quadras do hostel. 

          Pensando ser problemas com a bateria, comprei uma nova e consegui rodar uns 700 km até chegar em Presidente de La Plaza-Arg, ali, a moto "morreu" novamente, Esse trecho foi complicado,  já era noite e foi justamente aqui que a Dafra Horizont teve seu pneu furado. Eu não tinha como parar em acostamento, pois, se a moto morresse novamente não teria como fazer a transmissão de energia com um carro (não queria usar a de outra moto), então cheguei a Presidente de La Plaza. A informação que eu tinha até então é que um caminhoneiro havia falado que o alforge estava aberto e que nosso amigo da Transalp havia parado para dar apoio, então por isso toquei mais devagar até que eles nos alcançassem.

         Como estavam demorando para nos alcançar, resolvi pegar a Triumph 800 de outro amigo e retornei para ver o que estava acontecendo, lembrei-me que deveria levar ferramentas pois nem o jogo de chaves da roda ele carregava. Retornei quase 70 km com o colega da HD me acompanhando e não os encontramos. Através do whatsapp descobrimos que eles teriam ido para um hotel em Presidência Roque Sáenz Peña, cidade que já havíamos passado. Nesse ponto o grupo teve uma separação a qual mencionei acima, retornamos a Presidente de La Plaza onde nos hospedamos num hotel de beira de estrada.

          Na manhã seguinte consegui fazer a minha Vstrom pegar e seguimos até Corrientes onde a moto parou justamente após o pedágio de Resistência. Ali entrei em contato com Raphael Ghirelli, brasileiro conhecido por muitos motociclista e que mora em Corrientes, ele conseguiu um pequeno caminhão que rebocou minha moto até um posto de gasolina na entrada de Corrientes, Nesse momento, eu pedi para que os demais integrantes seguissem viagem, pois eu teria que ficar mais um dia para o conserto da moto. O grupo seguiu dividido e eu acabei ficando na cidade.

Ramiro à esquerda


          No apoio, Raphael me apresentou o argentino Ramiro, pessoa super gente boa, motociclista e estudante de veterinária, o qual me ofereceu sua casa para hospedagem e se colocou a disposição para me ajudar. 







          A minha moto foi para o Fernando, proprietário de uma pequena oficina na Avenida Pedro Ferré , pessoa extremamente correta e de um conhecimento fantástico, até pouco tempo era professor de engenharia mecânica na universidade local. Ele bem que tentou arrumar o estator da moto no mesmo dia, sacou e encaminhou para que se fosse retificada, mas o verniz não secou o suficiente, fazendo que o estator não conseguisse manter a bateria carregada. Por conta disso, tive que ficar o fim de semana em Corrientes.



Fernando consertando o Trovão Azul
        O lado positivo disso tudo foi ter conhecido o Fernando, mecânico dos bons o qual indico a todos amigos que passem pela cidade. Ter conhecido Ramiro também foi super positivo, independentemente do apoio, Ramiro é uma pessoa fantástica, fiquei na casa dele apenas um dia, é muito movimentada de amigos e por conta disso acabei indo para um hotel no dia seguinte, pois precisava descansar para poder vencer os 1.200 km que ainda faltavam para chegar a Curitiba e  não queria bancar o chato pedindo um pouco de silêncio para dormir rsrsrs, mas o apoio dele foi sensacional.

Ramiro em sua motocileta


          No domingo fui conhecer a cidade, essa parada em Corrientes não estava prevista, mas valeu a pena, vejam as fotos abaixo.
          





Grupo de jovens fizeram pose no momento em que eu ia fotografar
o monumento à Corrientes.






Geraldo, de Villa Constituicion - esta na estrada há dois anos com sua Kombi, no Rio Grande do Sul levou um susto, sua Kombi foi roubada e por 20 dias ficou sem o seu veiculo.-


Sr. Ramon, vendedor de Torta Parrila.








Na Argentina o Cassino é permitido.



Em Corrientes é possível emprestar ou trocar livros em plena
Avenida Costanera.

Na vizinha Argentina, cada habitante lê em média 5,8 livros por ano. No Brasil, cai para 4,7, mas, desconsiderando-se os didáticos, o índice aqui despenca para 1,3 livro/ano, segundo dados de 2008 do Instituto Pró-Livro.

Quanto ao número de livrarias, a Secretaria de Comunicação da Argentina estima em 3.200 o número delas em todo o país. Aqui, segundo pesquisa feita pela Associação Nacional de Livrarias em 2009, existem 2.980 – embora a extensão territorial do Brasil seja três vezes maior que a da Argentina.






Às margens do Rio Paraná, moradores de Corrientes aproveitam as diversas
praias existentes.



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Morre motociclista de 62 anos na região de Purmamarca - Argentina

          Uma notícia triste nos chega nessa semana, um carioca de 62 anos veio a óbito quando estava nas proximidades de Purmamarca. De acordo com socorristas locais, o brasileiro teria sofrido uma parada cardiorrespiratória quando estava a caminho de San Pedro de Atacama. A causa provável teria sido os fortes ventos que teriam desestabilizado o motociclista que por sinal era hipertenso, embora estivesse devidamente medicado. Deixamos de mencionar o nome em respeito à família e amigos, uma vez que iremos tratar do assunto mais abaixo.
         
          A Cordilheira dos Andes é cercada por histórias, encantos, belezas, alegrias, mas também tristezas. Fazer a travessia não é tão complicado, mas exige alguns cuidados. Um dos cuidados principais é o planejamento, embora muitos gostem de jogar as mochilas na moto e pegar a estrada, uma viagem para a Cordilheira requer planejamento, ou no minimo viajar com alguém que já realizou a viagem para aqueles lados.

          Anualmente levamos grupos de motociclistas ao Andes, para isso, fechamos com certa antecedência e então realizamos reuniões e passamos orientações sobre o que é atravessar os Andes.

          Quando indicamos aos turistas que comprem caramelos de coca ou folhas de coca para realizar a travessia, muitas vezes somos ironizados, dizem que é mito e que se chuparmos qualquer bala o efeito será o mesmo, infelizmente não, o "Mal de Soroche" é uma realidade e seu alivio imediato vem através da folha de coca.

          A velocidade é outro fator, atravessar a cordilheira deve ser de forma lenta e com algumas paradas, para que o organismo vá se acostumando com as mudanças, alguém pode falar que isso é frescura, que nunca teve problema algum, ok, mas existem pessoas e pessoas, algumas possuem uma sensibilidade maior para essas mudanças. Além do que, que graça tem você atravessa-la em alta velocidade??

          Na região de Paso de Jama por exemplo, a orientação é que se faça a travessia até as 15h, a partir desse momento a viagem pode se complicar, pois, após a travessia o turista continua subindo a cordilheira, chegando a uma altitude de mais de 4.800 m acima do mar, com o risco da temperatura despencar com a chegada da noite.

          Reforçamos a necessidade de planejar a viagem, conhecer os detalhes de cada lugar, conversar com pessoas que já estiveram por lá e que possam dar dicas, isso ajudará em muito a sua viagem.

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