quarta-feira, 1 de junho de 2016

Freios - você sabe utilizar ?

          Após participar de uma enquete numa rede social resolvi fazer esta matéria, bom, embora esse blog tenha por finalidades passar dicas de viagens para motociclistas, muitas vezes publico algo sobre mecânica, coisas que ouço aqui e ali e depois procuro me informar para repassar aos leitores, faço isso citando a fonte de onde fui buscar as informações.

          Essa enquete era sobre utilização de freios, para muitos o uso correto esta em forçar mais o freio dianteiro que o traseiro, então eu vi algumas pessoas respondendo justamente o contrário e pensei:  "poxa, será que estou fazendo errado?", então fui verificar e acabei aprendendo um pouco mais.

70% na roda dianteira e 30% na traseira

          A regra em geral é de forçar mais no freio dianteiro, distribuindo equilibradamente a força de frenagem entre as rodas dianteira e traseira, equilibrando o conjunto. Neste caso a roda traseira será responsável apenas por equilibrar a frenagem, estando na roda dianteira o real poder de reduzir a velocidade de sua moto. Segundo a Associação Brasileira de Prevenção dos Acidentes de Trânsito, a distribuição deve ser de 70% na roda dianteira e 30% na traseira, cabendo ao motociclista analisar as condições de aderência da pista a fim de dosar corretamente a pressão no manete e no pedal. 
          Embora a regra em geral diga para você forçar mais no dianteiro, existem outras variáveis a serem consideradas, vamos a elas:

          Quando estamos andando em boa velocidade, ao frearmos a massa em movimento se desloca para frente, por isso a parte traseira da moto fica leve. No final da frenagem, quando a moto reduz para menos de 50 km/h, se o motociclista mantiver o pé no pedal de freio traseiro a roda poder travar com facilidade. Neste caso, deve-se soltar o pedal do freio e manter apenas o freio dianteiro acionado. Aqui reside o maior preconceito da frenagem: muita gente acha que a moto vai capotar de frente, o que não acontece.

100% do freio traseiro??

          Em baixa velocidade, trafegando entre os carros, ou com garupa, pode-se usar 100% do freio traseiro para ajudar a manter a frente equilibrada e evitar o constante deslocamento de massa que provoca desequilíbrio. Quando estiver com garupa, experimente usar com mais intensidade o freio traseiro e você vai notar que o passageiro vai empurrar menos suas costas.

50% na roda dianteira e 50% na traseira

          No caso de moto custom, a posição de pilotagem é bem recuada, pode usar constantemente a frenagem equalizada, com metade em cada roda, ou mesmo o traseiro no caso de baixa velocidade ou com garupa. Isso ocorre em razão da arquitetura diferenciada destes modelos, que privilegiam a concentração do peso no eixo traseiro, com isso o deslocamento de massa para a dianteira é menor.

As motos esportivas

          Para os donos de motos esportivas, o freio dianteiro é de importância vital. Como o piloto fica praticamente apoiado sobre as manoplas, o deslocamento de massa para a dianteira ‚ intensa. Uma forma de reduzir este deslocamento ‚ prender os joelhos no tanque de gasolina, como se a moto fosse um cavalo. Dessa forma o peso do piloto fica concentrado mais na região do quadril e menos nas mãos. Forçar o peso nas pedaleiras também ajuda a aliviar a transferência de massa para a dianteira.

Freio traseiro nas curvas

          Uma outra situação é a frenagem em curvas – isso mesmo, frear em curva é possível! – aqui entra uma situação onde o freio correto a ser utilizado é o traseiro, e não o dianteiro. Como a causa disso está relacionada à física – pois quando se usa o freio dianteiro na curva, a moto tende a ficar de pé novamente e seguir em linha reta –, essa regrinha é aplicada a todos os tipos de moto, desde as esportivas às customs. Mas esse tipo de frenagem só é possível de ser feito até próximo ao meio da curva e sempre de maneira suave.

          Lembrando ainda que existem tipos diferentes de freio em cada moto, freios a tambor, a disco e o ABS.

Freio a tambor

          O sistema de freio a tambor – reminiscente dos freios automotivos antigos – ainda se aplicam nas motocicletas na traseira e ainda em raros casos na dianteira. Tem fácil regulagem e permitem boa potência com controle suficiente. Mas na dianteira já está ultrapassado. Por ter acionamento mecânico a regulagem é facilmente perdida e então deve ser regulado sempre, com o constante desgaste natural das lonas. Com isso o acionamento preciso fica prejudicado.

          O sistema a disco na dianteira é oferecido como opção na maioria das motos nacionais que ainda vem com o freio a tambor dianteiro. Se o consumidor souber escolher, essa opção deve acabar, pois esse tipo de freio não oferece boa segurança a longo prazo ou demanda muita manutenção para manter em bom funcionamento. 

Freio a Disco

          Nos freios a tambor, dissipar o calor gerado pelo atrito é complicado pois o sistema é fechado, bem diferente do genial disco de freio, que faz exatamente a mesma coisa escandalosamente exposto, deixando suas superfícies (as duas faces do disco e as pastilhas) literalmente de cara para o vento fresco.

          Basta simplesmente olhar para um sistema de freio a disco e outro a tambor para perceber o quanto o disco é capaz de expulsar a maior inimiga, a temperatura excessiva capaz de colocar em crise os mais resistentes materiais usados na confecção das pastilhas de freio (hoje não mais amianto e seus derivados, acusados de cancerígenos, mas sim os compostos minerais capazes de resistir a altíssimas temperaturas sem perder sua capacidade de atrito).

          Outro aspecto mais que óbvio em favor do freio a disco é a manutenção: em uma motocicleta com freio a tambor, a substituição das sapatas exige a retirada da roda. Já em um sistema a disco, a operação é mais rápida, pois a peça a ser retirada é a bem mais simples pinça de freio. 

Freio ABS

          Pilotar uma moto com ABS em condição de baixa aderência é uma tranquilidade, pois é possível aplicar força no comando de freio de modo intenso sem medo de se ver deslizando no asfalto em uma fração de segundo.

          Aliás, é fortemente aconselhável que o motociclista que passe de uma moto sem ABS para uma com o sistema dedique algum tempo para treinar frenagem: a questão não é nem tanto a de aprender como frear, mas sim reeducar-se, habituando-se – isso sim – a liberar travas mentais que indicam que na chuva não se freia forte, quando com o ABS isso é possível.

          Outro aspecto deste treinamento é o de se acostumar com a reação da alavanca do freio (e do pedal quando a moto tem ABS também no freio traseiro): apesar de nas versões mais modernas tal fenômeno ter sido reduzido, ainda se sente uma pulsação, um trepidar da alavanca que apesar de ser normal pode atemorizar os inexperientes e levá-los indevidamente a aliviar a pressão de frenagem. 


          Lembrando que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou, em resolução publicada, que motos deverão sair de fábrica com sistemas que auxiliam na frenagem. Eles serão exigidos, de forma escalonada, a partir de 2016. Primeiro, para 10% das motocicletas novas. Até 2019, chegarão a 100%.

Quando começa a valer

Veja o calendário de adoção dos sistemas, segundo a resolução 509 do Contran:
- a partir de 1º de janeiro de 2016: 10% da produção ou importação;
- a partir de 1º de janeiro de 2017: 30% da produção ou importação;
- a partir de 1º de janeiro de 2018: 60% da produção ou importação;
- a partir de 1º de janeiro de 2019: 100% da produção ou importação.


          Bom, as dicas sobre freios seriam estas, lembrando a você que, para evitar um acidente, não é necessário apenas saber usar o freio, mas saber pilotar de forma defensiva afim de evitar uma colisão ou um tombo.

Fontes: 
Uol Carros
http://www.motomol.com.br
http://www.motonline.com.br
http://www.revistamundomoto.com.br
http://blogdogrupocaixaseguros.com.br



2 comentários:

  1. Vale lembrar que o frear em determinadas reações de sobrevivência(RS) não é o aconselhável. Temos essa reação instantânea. Pense rápido: frear ou acelerar?

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    1. Verdade Fernando Zanfolin, obrigado pela participação. E a proposito, quando você quiser elaborar a matéria sobre as malas ("bags") de sua empresa o espaço esta disponível.

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