domingo, 19 de maio de 2013

Rastro da Serpente - Apiaí - São Paulo

          Saindo de Curitiba e seguindo a Estrada da Ribeira (BR 476) até a cidade de Capão Bonito no estado de São Paulo (SP 250), temos a conhecida rota "Rastro da Serpente", uma estrada com curvas muito fechadas que segue pelo Vale da Ribeira.

          No sentido Curitiba/PR - Capão Bonito/SP, a estrada passa pelos municípios de Bocaiuva do Sul (PR), Adrianópolis (PR), Ribeira (SP), Apiaí (SP), Guapiara (SP) e Capão Bonito (SP) , totalizando 261km.

          Para se aproveitar bem o roteiro, o ideal seria fazer o bate-volta em dois dias, pernoitando em Capão Bonito (SP), a estrada possui muitas curvas, mal você sai de uma e já se depara com outra, a viagem se torna demorada e cansativa, se o banco de sua moto for desconfortável aí o negócio fica sério.

          Por ser uma rodovia de ligação entre estados, o fluxo de caminhão é muito alto durante a semana, a ultrapassagem de torna perigosa e acaba colaborando para que a viagem de torne mais demorada.

          De Curitiba até Adrianópolis (PR), o asfalto encontra-se em bom estado de conservação, porém, atravessando a divisa dos estados do Paraná e entrando no município de Ribeira (SP), a situação muda, não existe, até a presente data, uma manutenção no asfalto e a estrada esta péssima, muitos trechos com buracos e até mesmo sem asfalto.


          Geralmente nosso moto grupo anda num bonde com mais de 10 motos, e costumamos fazer esse passeio no mesmo dia, porém, utilizamos um passeio alternativo, onde o destino é a cidade de Apiaí (SP), a qual fica aproximadamente 170 km de Curitiba (PR) - Este trecho é bem sinuoso, a paisagem do Vale da Ribeira é magnifica.
          Uma pequena preocupação com o roteiro é o combustível, em algumas das cidades que fazem parte do percurso, os postos de gasolina não abrem aos domingos, e, devido ao excesso de curvas, subidas e descidas, o consumo de combustível deve ser levado em consideração, pensando aqui nas motocicletas que possuem baixa autonomia.

          Há um tempo, na praça central, existia uma placa onde o pessoal costumava parar para registrar o passeio (foto ao lado), ou seja, se não abraçasse a cobra, digo, abraçasse a placa (rsrs) , não adiantaria falar que fez o passeio, bom a placa foi transferida para um Parque Municipal, criado para contar a história da mineração de ouro da região (as fotos estão mais abaixo). 

          Tem um posto de gasolina em frente a mesma praça citada anteriormente, onde eles vendem certificados e bordados da Rota 476.
















   Os relatos históricos revelam que o potencial aurífero da localidade é conhecido desde os tempos coloniais, possivelmente desde 1675, quando bandeirantes fundaram a Villa de Apiahy e abriram lavras a céu aberto para a extração de minérios secundários, resultantes do intemperismo do minério primário e sua desagregação, que proporcionaram a liberação, transporte e deposição das partículas de ouro.

   A exploração intensiva da área começou em 1885, quando a empresa Resende & Cia. encomendou pesquisas que apontaram a viabilidade econômica da propriedade do Morro do Ouro. Várias tentativas de exploração da mina não surtiram os efeitos esperados, até que, em 1922, David Carlos MacKnight e seus sócios adquiriram as propriedades do Morro do Ouro e Água Limpa, abrindo 1.600 m de galerias e recuperando 6,5 kg de ouro por meio de amalgamação até o ano de 1924. O metal recuperado tinha 76% de ouro e 24% de prata.

   Em 1939, a mina e seus imóveis foram arrendados à Cia. de Mineração de Apiaí, com participação de capital japonês, pelo prazo de 15 anos com opção para outros 15. No prazo de um ano, foram abertos 2.500 m de galerias, de onde foram retiradas cerca de 10.000 t de minério com um teor médio de 5 g/t. Segundo registros do CPRM, as reservas da jazida foram estimadas em 100.000 toneladas de minério. O tratamento do minério consistia em britagem, moagem e recuperação do ouro grosso por amalgamação com mercúrio. O ouro fino era recuperado por cianetação, onde o metal era dissolvido em solução de cianeto de sódio e, após filtragem, recuperado por precipitação com adição de zinco. Trata-se de processo ainda muito utilizado nos dias atuais.

   Mas, em 1942, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a mina foi paralisada por força do Decreto Lei nº 4.166, que determinou o confisco dos bens dos súditos do Eixo Alemanha-Itália-Japão. Em 1945, foi determinada a liquidação extrajudicial da empresa, mas em 1960 a União reconheceu que os legítimos donos da empresa não eram súditos do Eixo, devolvendo o remanescente do empreendimento à Cia. de Mineração de Apiaí.

   Porém, a longa paralisação havia provocado o colapso no sistema subterrâneo de galerias, inviabilizando o reinício da lavra conforme o plano original. Somando-se a isso, as condições desfavoráveis do mercado do ouro na época levaram a empresa a abandonar o empreendimento.
(fonte: http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=102950)