quarta-feira, 21 de março de 2018

Legislação para motocicletas no mundo


          Como é a legislação para nossos amigos motociclistas em outros países? Fomos atrás de algumas informações, nossas leis são rígidas e se todos cumprissem à risca, evitaríamos acidentes e mortes no trânsito.

Vamos lá dar uma olhadinha como funciona lá fora.

Tráfego nos corredores

No Brasil, não há proibição para as motos trafegarem nos corredores. (Vejam nossa matéria "A Prática do Corredor" ).

A permissão para rodar no chamado corredor, formado entre duas filas de veículos, varia de país para
país na Europa.

Na Áustria, na Bélgica e na Holanda é permitido andar no corredor quando o trânsito fica parado, mas, nos dois últimos países, é preciso rodar em velocidade baixa. Na Áustria não há restrições.

Na Alemanha, na Itália e na França, rodar no corredor é proibido, porém as autoridades são tolerantes em alguns casos. "Em Paris todo mundo faz isso", explica a jornalista alemã Eva Breutel, especializada em motocicletas.


Uso do capacete

Em nosso País, o uso do capacete é obrigatório tanto para o piloto quanto para o passageiro. Estudos efetuados para avaliar a eficácia do uso de capacetes, demonstraram que, o seu uso pode prevenir cerca de 69% dos traumatismos crânio-encefálicos e 65% dos traumatismos da face. O capacete protege o usuário desde que utilizado corretamente, ou seja, afivelado, com todos os seus acessórios e complementos. Vejam nossa matéria (Capacete, Modelos, Regras e Normas).

Sem capacete - Estados Unidos

          Com predominância de motos de alta cilindrada, os EUA possuem regras específicas para motocicletas em cada região. Dos 48 estados, apenas 19 e o distrito de Columbia exigem o uso de capacete para todos motociclistas.

Em Wisconsin, terra da Harley-Davidson, por exemplo, o equipamento de segurança é obrigatório só para quem possui 17 anos ou menos. Em alguns estados, não é exigido para pilotar motos pequenas (abaixo de 50 cilindradas).

Em 2012, 4.667 pessoas morreram em acidentes de motos nos EUA, 14% do total de 33.561 mortes no trânsito, de acordo com a Insurance Institute for Highway Safety (IIHS, instituto que trata da segurança em estradas dos EUA).

Motocicletas nas estradas

Nas rodovias brasileiras, as motos são livres para circular, apenas os ciclomotores têm regras próprias. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, os veículos de até 50cc não podem transitar em rodovias, salvo no acostamento ou em faixa própria.

Maior produtora de motocicletas do planeta, a China retirou os veículos de duas rodas movidos a combustão de algumas regiões.

As grandes cidades, como Pequim e Xangai, possuem restrição à circulação de motos em seus centros. Mas motos elétricas são permitidas, o que acabou proliferando seu uso nesses locais. Uma exceção para isso é a cidade de Chongqing, polo da fabricação de motocicletas no país, na qual as motos são liberadas a rodar livremente.

Fora das estradas - China

Além de vetar a circulação em grandes centros urbanos, a China proíbe esses veículos nas autoestradas, restando aos motociclistas utilizar apenas estradas vicinais e de terra.

O objetivo da medida é evitar acidentes. No entanto, ela acaba sendo um empecilho para o desenvolvimento do mercado de motos de alta cilindrada no país.

No Brasil, recentemente a cidade de São Paulo proibiu a circulação de motos em algumas vias.

Na Argentina, mais precisamente nas províncias de Corrientes e Resistência, as motocicletas não podem trafegar pela Rutas que atravessam as cidades, as motocicletas devem circular pelas vias marginais, neste caso é aconselhável sempre estar de olho nas placas de sinalização, quando essas existirem.

Formação de condutores

Esse é um ponto que a legislação brasileira deixa a desejar. No nosso País, para tirar a CNH de Categoria A (para motocicletas), a prova prática ainda é feita em circuito fechado, o que quer dizer que o motociclista tira a habilitação sem nenhuma experiência na rua.

Apesar de variar de país para país, o sistema de preparo de motociclistas é mais rígido na Europa, se comparado ao brasileiro, por exemplo.

Nas aulas naquele continente, o usuário aprende a frear e a trocar de marcha corretamente.

Na Alemanha, tirar a carteira de moto é mais caro que de carro. A primeira custa cerca de 1.800 euros (aproximadamente R$ 5,5 mil, na cotação atual); a de carros sai por 1.600 euros (equivalente a R$ 5 mil).

Transporte de crianças em motos

Pilotar carregando um passageiro exige muito mais responsabilidade, habilidade e experiência.
Transportar crianças requer cuidados em dobro, além disso, o transporte de crianças menores de sete anos em motos é proibido por lei no Brasil. Segundo especialistas, crianças abaixo desta idade não têm os reflexos e a habilidade necessária para se proteger numa eventualidade.

Nos Estados Unidos, apesar disso, apenas dois estados têm restrições de idade para passageiro de motocicleta, Washington e Havaí (proíbe pilotos com menos de sete anos de idade).

Na Espanha existe uma regra curiosa, para trafegar em motocicletas, as crianças devem ser maiores de 12 anos se o piloto for apenas um conhecido. Se o piloto for o pai, a mãe ou um tutor, é permitido o transporte se a criança tiver mais de sete anos.


Mototáxi em aeroportos - Paris

Para se livrar do intenso tráfego de carros, Paris tem um grande movimento de mototáxis no aeroporto Charles de Gaulle.

Enquanto o carro pode levar mais de 1 hora para fazer o trajeto do local ao centro da cidade, os mototaxistas prometem realizar o percurso em 20 minutos.

O serviço, no entanto, é um pouco mais caro: custa 70 euros (equivalente a R$ 220), enquanto táxis cobram 65 euros (cerca de R$ 197), em média.

Os modelos usados são os de alta cilindrada, como Honda Gold Wing, Suzuki Burgman 650 e BMW K 1600, que permitem carregar bagagem e também oferecem mais conforto ao garupa, com bancos mais largos.

Como é no Brasil: mototáxis são permitidos e o uso é mais difundido na região Nordeste, com modelos de baixa cilindrada. Nos principais aeroportos ainda predomina o uso de táxis.


Freios ABS

A partir de 2019, todas as motocicletas à venda no Brasil, fabricadas localmente ou importadas, deverão possuir sistema de freios com antitravamento (ABS) e/ou frenagem combinada das rodas (CBS). A resolução do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) indica que todas as motos com cilindrada igual ou superior a 300 cc devem possuir ABS. As de cilindrada inferior podem ter ABS ou CBS. A implantação da obrigatoriedade será gradual.

Na Europa, a obrigatoriedade chegará mais cedo. A partir de 2016, todas as motos novas, com motores de cilindrada superiores a 125 cc, terão que possuir freios do tipo ABS, que evitam o travamento das rodas em frenagens bruscas. Para modelos com tamanho de motores inferiores a 125 cc, será possível escolher entre o ABS ou o CBS.

Motos em faixas de ônibus

Nas vias brasileiras as motos são proibidas de trafegar nas faixas exclusivas de ônibus.

Desde 2011, a cidade de Londres permite aos motociclistas circularem pelas faixas e corredores de ônibus. De acordo com o governo local, a segurança dos motociclistas e outros integrantes do trânsito não é afetada.

Entre os benefícios apontados pela órgão de transporte da capital inglesa estão a redução de emissões de poluentes e a diminuição do tempo de deslocamentos para motociclistas, além de ajudar na fluidez geral do tráfego.

Idade reduzida - Europa

Outra diferença das regras envolvendo motos na Europa é a possibilidade de tirar habilitação para modelos de baixa cilindrada já a partir dos 16 anos na maioria dos países.

Quem possui habilitação para carros também pode usar um "moped". Assim são chamadas as motonetas com velocidade mínima de 25 km/h e máxima de 45 km/h, com motor não maior que 50 cc. E alguns países, como França, Itália e Portugal, já é possível rodar com um desses veículos a partir dos 14 anos.

Como é no Brasil: só é permitido andar de moto a partir dos 18 anos.

Fontes:
Portal do Trânsito
Expedições Latinas
g1.globo.com

quinta-feira, 8 de março de 2018

Dafra Horizon - relato de uma grande viagem

          Este espaço foi reservado ao nosso amigo Antonio Carlos Severo Wiedermann, conhecido como Toni, para que ele relatasse sua experiência na viagem ocorrida em 2017.


Atacama a viagem dos sonhos


Por Antonio Carlos Severo Wiedermann


O Início

Em outubro de 2017 tive a maior aventura de minha vida até aquele momento, foram 12 dias inesquecíveis, com significado muito importante para minha vida.

Nas entrevistas sempre se pergunta, que palavra você pode definir esta viagem? Eu responderia de várias formas, mas a palavra mais interessante seria "Superação". Então vamos agora explicar o porquê desta palavra. 

Tudo começa numa bela noite em meados do mês de maio, quando fui no encontro Curitiba Moto Point e passando pelas barracas, ao chegar na barraca do ainda desconhecido Rogério Boschini, troquei umas palavras com o mesmo e durante o bate papo, entramos no assunto da viagem ao Atacama. 

Após ele contar suas aventuras e dizer que estava organizando um grupo, eu já pedi para ele dar como certa a minha participação. Citei que tinha uma Dafra Horizon 250 e Rogério me tranquilizou dizendo que se a moto tivesse bem revisada, faria a viagem sem problemas. Ele me deu um cartão e dados do facebook e nos dias que seguiram os contatos aumentaram e Rogério criou o grupo do Facebook e Whatsapp exclusivo para os interessados na viagem.

Preocupações

Desde o início deste projeto, tive sérias dúvidas e questionamentos do meu equipamento, da questão financeira e o principal do meu emocional e da minha família que foi envolvida, mas vou deixar para vocês ver nas linhas que seguem, como foi que superei cada uma.


Conhecer os companheiros de viagem

O grupo foi importante para o início de uma relação de amizade entre os integrantes. Fizemos passeios e sempre trocávamos mensagens no Whatsapp, a animação era grande.

Preparativos – Dinheiro e Documentação

Nesta época comecei a alavancar os recursos, que eram poucos e também começou a saga da documentação e das manutenções. Nesta fase tive grandes problemas com a questão da identificação, pois a Receita Federal cancelara a emissão de passaportes por falta de verba da união, me obrigando a ter de renovar o meu RG que tinha mais de 5 anos. Foi uma saga de vários capítulos. O primeiro foi tirar a 2ª via da certidão de casamento e corrigir o nome da mãe na base do Instituto de identificação que estava incorreta, pois não possuo nome de mãe no registro de nascimento e nem fui adotado. Tive de tirar segunda via do registro de nascimento pra provar a minha situação. De posse do RG, parti para os outros documentos necessários e que Rogério nos orientara. Carta verde, Carteira de vacinação, liberação da financeira e os demais foram conseguidos, com exceção do PID, que enroscou no nome errado da minha mãe na carteira de habilitação. Este documento, foi um dos pesadelos que vieram a me atormentar. (O PID não é um documento obrigatório na Argentina e Chile, porém, na Argentina alguns policiais em busca de propina já solicitaram em outras ocasiões, GRIFO Rogério Boschini).

Preparativos – Revisão das Motos

Preparação, esta palavra eu segui à risca no último mês antes da viagem, isto porque apesar de estar com minha moto a quase dois anos, eu tinha tido vários problemas de oficina com a mesma, era um fantasma que me assombrava, isto só foi resolvido depois que conheci o Tony, ex-mecânico do Silvio da Moto Store, o cara é bom. Como uma prévia e para testar a moto, fiz viagem em setembro à Serra do Rio do Rastro e na volta desta percebi que tinha de caprichar os preparativos. Comprei um jogo de pneus novos, fiz a embreagem (que estava meia boca), troca de óleo e filtros, troca da relação, e da melhor qualidade (gastei o olho da cara) do fluido do radiador e pastilhas de freio e comprei um pelego, este foi a melhor aquisição como veremos mais tarde.

Na última semana antes da viagem, separei o dinheiro necessário (foi bem apertado), comprei calça de cordura no Silvio e adaptei o sissi bar do garupa para a posição de piloto (gambiarra), esta, também foi uma decisão acertada.

Preparativos -  A bagagem

Um dia antes, preparei a bagagem de viagem a qual pelo volume descomunal (erro de principiante em viagens) veio a me dar grandes transtornos. Carreguei ferramentas desnecessárias, roupas demais, remédios que jamais usaria e como veremos itens importantes foram esquecidos, exemplo durepoxi (vocês saberão mais a frente). 

A viagem 1º Dia

O dia da viagem já começou com o senhor Tony acordando atrasado, depois de uma noite ansiosa, onde dormi mal, portanto vai a dica, antes de uma viagem procure controlar a ansiedade.

Como disse cheguei um pouco atrasado no ponto de encontro e já nervoso, após as orientações de Rogério saímos em viagem.

O primeiro dia Curitiba - Foz: Este dia transcorreu normalmente, apesar do trânsito intenso e estrada perigosa, como saí nervoso, a preparação para filmagens com a SJCAM e fotos com celular, bem como o mp3 no capacete para ouvir músicas ficou em segundo plano. Saí fazendo minhas orações cristãs e uma série interminável de Mantras Indianos, deu pra ver que tenho uma religiosidade um pouco complexa e que não vale a pena prolongar.

Durante a viagem sempre vinha a insegurança com relação ao equipamento, perguntas surgiam o tempo todo, que barulho foi esse? Será que ela aguenta? Como resposta a branquela me uma tocada forte e segura. Porém durante este trecho surgiu o primeiro problema, a luz de freio traseiro estava travando acessa e dava impressão que eu estava freando o tempo todo, para resolver numa das paradas removi a perinha, uma vez que a o freio dianteiro acionava ela normalmente, portanto tive de me policiar em frear primeiro com o freio dianteiro.

A chegada em Foz foi um alívio, pois a insegurança com o equipamento e os problemas ficaram para trás. Após um banho de piscina de água gelada e uma deliciosa janta num restaurante Sírio fomos dormir. 

A viagem 2º Dia

O segundo dia Foz - Corrientes: Acordei animado e descansado, pronto para o que viesse pela frente. Após o café arrumamos as bagagens e foi aí que comecei a perceber quanta porcaria eu tinha trazido para a viagem, começou o sufoco.


A viagem começara bem até chegarmos na aduana, aí comecei a ficar nervoso com a documentação, será que estava tudo certo? Estava sim, passamos de boa e seguimos viagem. O almoço foi numa churrascaria na Argentina, com uma carne deliciosa, seria a melhor refeição que teria até chegar na Cordilheira. Lindas paisagens e um grupo que andava certinho, tudo correu bem. ao fim do dia um pouco atrasados devido aos trâmites da aduana, chegamos a Corrientes para o primeiro cambio. Este foi um momento de dúvidas que tive, será que trouxe pouco dinheiro, troquei o que achei necessário e após isto seguiríamos para um passeio seguimos, foi aonde aconteceu o segundo perengue da viagem. Minha moto simplesmente não deu partida, após o susto e rever os fusíveis seguimos ao passeio com o Raphael Ghurelli, amigo de Rogerio que reside em Corrientes, gente muito boa e na sequência seguimos de Corrientes para o Hotel na cidade vizinha, Resistência.

A viagem 3º Dia


O terceiro dia Resistência - Salta: Após uma noite bem dormida, num hotel simples, limpinho e agradável, chegou a hora que mais me estressava, arrumar a bagagem. Gente que sufoco, de raiva deixei para trás o fluido do radiador, um pullover, uma proteção de manopla para chuva (que fez falta depois), um dos três pares de luvas que trouxe para viagem e outras coisas que nem me lembro.

Foi um dia longo, grandes retas e paisagens lindas, animais na pista, cidades pequenas, asfalto ruim num trecho de 50 km perto de Pampa del Inferno e costumes interessantes, como o dos motociclistas da Argentina e Chile não usarem capacete, as capelas a beira de estrada, chamadas de gauchito e a cordialidade das pessoas que nos recebiam. Após uma viagem bem cansativa, chegamos no centro de Salta e paramos para abastecer, foi aí que surgiu o terceiro problema em minha moto. Um vazamento estanho no radiador. Estava tudo vermelho do liquido arrefecedor, desconfiei de furo, mas achei que era aquecimento, pois o trecho final de uns 200 km fizemos beirando os 130km/h velocidade que minha moto fez tranquilamente, então seguimos para o Hostel. Esta pousada teve um gosto especial, além do bom atendimento, tivemos um happy hour regado a cerveja Salta e as famosas empanadas Argentinas, uma delícia.

A viagem 4º Dia


O Quarto dia Salta - São Pedro do Atacama: O dia começou com a terrível confirmação de que meu radiador estava furado, desespero total de minha parte. Após conversar com Rogério, decidi seguir em frente e cruzar a cordilheira daquela forma. Me abasteci com várias garrafas de agua e segui em frente. Chegamos a Pumamarca e após um passeio completei 500ml de água no radiador. Esta travessia da Cordilheira era a parte mais esperada por mim, e infelizmente foi a menos aproveitada até aquele momento. O nervosismo com o problema do radiador tomou conta de mim, eu não tirava os olhos do led de alarmes, não conseguia relaxar. A cada parada eu tinha de abastecer 500ml de água. Viajando olhando as botas molhadas e orando muito a viagem seguiu, mesmo paradas nos salares da cordilheira e um bom almoço em Susques me animaram. Seguindo pela Cordilheira o vento forte era implacável com as duas motos Dafra 250cc (super gêmeas), tanto a minha como a do meu colega Leonardo não renderam o esperado, e chegamos a atrasar o comboio. Neste momento de tensão o apoio de Rogério e dos demais amigos foi muito importante. Chegamos ao Paso de Jama, e já nervoso com os problemas mecânicos, fiquei ainda mais tenso com a burocracia, mas graças ao bom Deus, deu tudo certo e finalmente entramos no Chile. Faltando pouco mais de 200km este último trecho teve surpresas agradáveis com o gelo da cordilheira, muito frio e um lindo pôr do sol, chegamos em São Pedro do Atacama já noite.
Não existe palavras para definir o alívio e felicidade de chegar no hotel, após retirar a bagagem e sofre no banho frio uma bela noite de sono era só o que eu queria.

São Pedro do Atacama

Chegamos num sábado e no domingo tivemos o dia livre para passear visitamos o Vale de La Luna, eu, porém só pensava e arrumar o radiador, depois de muito procurar pela cidade por uma oficina aberta, desisti e tentei aproveitar a estadia. Na segunda eu deveria ir para El Tátio com os colegas, mas o foco era os reparos. Achei oficina com bons mecânicos e comprei um fluído de cera com pó de cobre para tapar o furo, mas não deu certo e só piorou a situação, obstruiu a bomba d'água e se depois de desmontar e limpar que voltou a funcionar. Como o fluido não resolveu o mecânico disse para eu usar POXILINA, que na verdade é o nosso durepoxi, mas seria por minha conta e risco. No outro dia era para estar em passeio para Antofagasta e desisti por medo de ter problemas no radiador. Desmontei o radiador tirei as aletas e descobri um furo de 1,5 cm de extensão, para resolver coloquei o durepoxi dos dois lados fazendo um sanduíche e deixei secar.

Enquanto secava fiz dois passeios, o Salar do Atacama e pelas Lagunas Altiplanicas (Miscanti e Miñiques), foi o que salvou minha passagem pelo Atacama. Um passeio incrível onde tirei lindas fotos.

O Retorno

Hora de voltar: Muitas saudades ficaram de São Pedro do Atacama e um gostinho de quero mais, mas tinha um caminho de volta e ainda a incerteza de que meus problemas tinham acabados com o durepoxi.

Saímos de São Pedro do Atacama e tiramos uma última foto no Vulcão Licancabur e seguimos viagem. Para meu alívio o vazamento tinha sido resolvido e agora eu poderia aproveita a paisagem da Cordilheira. Tirei um monte de fotos e me diverti.

A viagem seguiu até Salta e dali para Corrientes, onde meu colega Leonardo teve problemas com pneu e a relação e Rogério com a parte elétrica de sua moto, atrasamos e dormimos num hotel no meio do caminho que tinha um sistema de banho baseado em rabo quente, isto mesmo rabo quente, foi muito engraçado.

No outro dia seguimos em dois grupos separados para Corrientes e tivemos de nos separar por conta dos problemas já citados, mas não interferiu na minha viagem. Eu estava confiante, faltava muito pouco para entrar no Brasil. Saímos de Corrientes com expectativa de pousar no meio do caminho e no outro dia seguir para o Brasil.

Neste último trecho apenas a 200km de Foz do Iguaçu meu colega Leonardo sofreu acidente grave na estrada, porém sem ferimentos. Com o apoio e a tranquilidade que Alexandre Gerardhi, nosso anjo da guarda nos passou e com muita sorte conseguimos deixar a moto em condições e no outro dia seguimos para o Brasil. Muita chuva neste último trecho, mas enfim o solo brasileiro. O resto da viagem correu normalmente e chegamos são e salvos em casa. Trouxemos uma bagagem de experiência e histórias que ficará para sempre em nossas memórias.

Considerações finais

Esta foi a viagem da superação, onde superei os problemas financeiros, os medos, a ansiedade, meus conflitos internos e fobias para realizar um sonho.  Realização é tornar real algo difícil, impossível e insuperável e quando superamos todas as barreiras que temos que transpor, crescemos, aprendemos e incorporamos ao que somos. Sou outra pessoa após esta viagem, mais forte, mais feliz e com novos sonhos a realizar, por esta razão escolhi a palavra superação para definir esta viagem.

Teria muito mais a falar, como os momentos de tensão (algo normal entre seres humanos) e descontração com os colegas, as minhas emoções, percepções e sem falar da parte espiritual, mas já sairia de um simples artigo para quase um livro, o importante é que está tudo registrado em minha mente e vou levar estas lembranças maravilhosas pelo resto de minha vida

Agradecimentos a minha esposa pela força nos momentos difíceis e todos os membros desta equipe de vencedores e em especial a Rogério Boschini e Alexandre Gerardh que foram meus anjos amigos e ao meu Deus.



Bacana o relato do Toni, diria que, entre os participantes ele era o mais místico e o mais ansioso, sempre preocupado com os detalhes. Seu maior receio seria conseguir levar e trazer de volta a sua Dafra Horizont, para isso, a resposta é simples, toda motocicleta que esteja com sua manutenção em dia consegue realizar esta viagem, até mesmo as carburadas, basta lembrar que muito antes das motos de injeção eletrônica já haviam os aventureiros que atravessavam a cordilheira.

Quando iniciei este projeto, a ideia era poder oferecer a oportunidade a todos, lógico, apenas com a exceção para motos abaixo de 250 cc, misturar motos de 125cc a 1200cc não daria certo, colocar motos de 250cc de certa forma já era um risco, mas como a proposta era andar nas velocidades entre 100 km/h a 110 km/h, as de 250cc o motor já não fica com giro muito alto, então tudo bem.

Uma das exigências para a viagem era que tanto pneus, relação e pastilhas de freios fossem trocadas, principalmente as pastilhas, pois em nosso caso iríamos subir e descer a cordilheira duas vezes, exigindo demais desse componente. Bom, o grave acidente mencionado se deu pelo fato que infelizmente nosso amigo Leonardo não realizou essa tarefa, pagando caro por isso e de certa forma atrasando o bonde.

Já no caso do Toni, uma pedra no radiador poderia acontecer com qualquer moto e em momento algum, mesmo com seus problemas, Toni atrasou o grupo, no momento de maior dificuldade, onde estávamos com um vento lateral muito forte, solicitei aos demais integrantes que seguissem até o posto de gasolina na aduana Argentina/Chile, eu e o Sr. Alexandre Ghirardi ficamos com o Toni e o Leonardo, dando o apoio, as duas Dafra Horizont foram valentes.

Outro detalhe apontado refere-se a documentos, viajar para a Argentina e Chile não são obrigatórios nem passaporte e nem o PID (Permissão Internacional para Dirigir), no entanto, em meus grupos costumo solicitar aos participantes que providenciem tais documentos, uma pela facilidade no trâmite junto as aduanas e outra para evitar policiais corruptos. Você conseguiria no meio do nada argumentar com um policial mal intencionado?

Valeu Toni, obrigado pelo seu relato, que venha a próxima aventura!!!