segunda-feira, 25 de abril de 2016

Puente del Incas 2016

          Estávamos a caminho de Santiago no Chile, mas na Aduana Argentina fomos informados que não poderíamos seguir nossa viagem, o Túnel Cristo Redentor estava fechado no lado chileno, estava nevando e os Carabineros bloquearam a estrada, a neve já estava próximo da Puente del Incas no lado argentino. Conversei um pouco com os policiais e fui autorizado a seguir somente a Puente para poder fazer alguns registros fotográficos.

         Já no caminho podíamos ver algumas montanhas já tomadas pela neve, de repente começou a chover e já próximo da Puente começou uma chuva de gelo. Uma paisagem acinzentada mas muito bela, conseguimos chegar na Puente e realizamos nossos registros.



         Acabei afogando minha Vstrom DL 1000, não conseguia dar a partida, como último recurso tentei fazer ela pegar no "tranco", o que não é muito aconselhável. Foi quando um argentino acenou e foi em direção até a moto. Expliquei a ele que a moto estava afogada e ele me mostrou como proceder com uma moto nessas condições na Cordilheira. Ele manteve o botão da parte elétrica acionado, desligou a chave de ignição e então ele abriu o giro do acelerador e acionou novamente a ignição, com o acelerador no  último e então a moto funcionou. 




         Devido à neve, houve um deslizamento na Cordilheira e pedras foram parar no meio da Rota, mesmo desviando ainda passei por cima de algumas pedras e uma delas cortou o pneu traseiro da moto, mesmo com o corte consegui levar a moto até próximo de Lujan de Cuyo, cidade da região metropolitana de Mendoza. Consegui uma caminhonete que nos levou até a borracharia do Sr. Antonio, um motociclista que também roda pelas rotas da vida, ele me mostrou fotos da viagem que realizou na Rota 66 - E.U.A.. O pecado é que nessa brincadeira se foram mais de R$ 1.500,00 para conseguir um novo pneu. Na Argentina o horário comercial é diferenciado, eles fecham as portas entre 11h e 16:30h e isso acabou prejudicando um pouco a busca, a compra do novo pneu foi realizada numa concessionária Suzuki em Mendoza.



SOBRE A PUENTE DEL INCAS


          Uma das belíssimas atrações da região é a Puente Del Incas, uma formação rochosa que forma uma ponte natural sobre o Rio Las Cuevas, tem cerca de 48 metros de comprimento e uma largura de 28 metros de largura, sua espessura é de 8 metros e fica 27 metros acima do rio. A formação foi causada pela erosão da água do Rio Las Cuevas, cuja água possui propriedades curativas de estresse por ser rica em sais, cloreto de sódio, alcalina, arsênico, bicarbonato, cálcio e enxofre.


   Existem algumas lendas quéchua (povos sul-americanos) sobre a puente:

   Diz a lenda quéchua que, anos antes da chegada dos espanhóis, o herdeiro do trono do Império Inca se encontrava muito doente.

   Sem esperanças de cura, o garoto foi levado pelos melhores guerreiros de Qosqo para ser curado em águas termais em terras do sul. A travessia duraria meses e seria interrompida por uma quebrada profunda cortada por um rio furioso.

   Aqueles homens então se abraçaram para formar uma ponte humana que permitisse a passagem do pai desesperado e seu filho enfermo. Mas quando o primeiro se virou para agradecê-los, os guerreiros tinham se petrificado, dando origem à impressionante ponte de pedra.

   Guerreiros incas , para tornar o sonho realidade de seu amado líder, abraçaram-se e formaram uma ponte humana. Em seguida, o Inca, caminhando sobre as costas dos seus homens, levou seu filho para os banhos, onde encontrou a cura procurado. Quando ele voltou a olhar para agradecer a seus guerreiros, que foram petrificados, criando a famosa ponte.

· Até o momento eles estavam refletindo sobre como atravessar o céu escureceu, ele balançou o chão de granito e foi abandonada desde os picos altos, enormes massas de pedra com um ruído aterrador. Após o acidente, os Incas manchado espantado que a onipotência do deus Inti (o sol) eMama Quilla (Lua) tinha criado uma ponte que lhes permita passar irrestrito à fonte maravilhosa. Eles levou-a para o príncipe, que bebeu de suas águas e logo recuperou a saúde.

· Sabendo que o rei não iria sobreviver a refazer o caminho que lhes permitiria atravessar o desfiladeiro, o comboio parou para passar a noite. O deus Inti, que tinha visto desde que deixaram a partir do centro do império, desceu por trás das montanhas movidas pela dor que estes homens sentiam e decidiu ajudá-los a completar a sua viagem. Ao despertar, os incas ficaram surpresos ao descobrir, como se você estivesse lá desde o início dos tempos, uma ponte de pedra sólida levando para o outro lado do rio onde a cura para a doença era.

   Ao lado da ponte existe uma construção muito rústica, feita com pedras e adobe, trata-se de um hotel de banhos termais, construído em 1925, a edificação possui uma coloração em tons de amarelo, laranja e ocre devido a ação do tempo e as pedras que a envolvem. Devido as erosões, o hotel foi abandonado em 1965.


























FOTOS DE VIAGEM ANTERIOR










domingo, 24 de abril de 2016

Vallecito - San Juan - ARG - Difunta Correa

          Saímos de Mendoza-ARG com destino a La Rioja-ARG, seguimos a orientação do Antonio, proprietário de uma gomeria (borracharia) em Luján de Cuyo , pegamos a Ruta 40 sentido norte ,mas antes de San Juan pegamos as Rutas Nacionais 162, 295, 246. 20 e então entramos na 141, uma região um tanto desértica e de muita pobreza, ali vimos crianças vendendo pães na beira da estrada. Andamos alguns quilômetros e  fomos parar na região de Vallecito onde tem o Santuário de  La Difunta Correa.

          Todos os povos e países possuem seus mitos, suas lendas e seus personagens populares. A humanidade está repleta de histórias de homens e mulheres que em vida realizaram grandes feitos e que depois de mortos passam a ser venerados como santos e/ou heróis. No Brasil, temos o Padre Cícero e Antônio Conselheiro; no Chile, Santa Tereza de Los Andes, e assim por diante. N Argentina a personagem é María Antonia Deolinda Correa, mais conhecida como Defunta Correa.

          De acordo com os relatos, na década de 1840, a Argentina estava em uma terrível guerra civil. Os brancos descendentes de espanhóis estavam lutando contra os povos indígenas que ainda restavam no país. A jovem Deolinda Correa era casada com Baudilio Bustos, que foi recrutado para lutar na guerra. Como não queria ficar longe de seu marido, ela decidiu segui-lo. Deolinda Correa seguiu então o exército argentino durante algum tempo, levando seu bebê recém-nascido nos braços. Quando atravessava uma região de deserto próxima à província de San Juan, seus mantimentos e a água que levava acabaram. Ela então acabou morrendo de sede e exaustão. Algum tempo depois o seu corpo foi encontrado e, para espanto dos viajantes que o encontraram, o bebê ainda estava vivo, supostamente graças ao leite que o corpo da sua mãe continuou a produzir, mesmo depois da morte. Esse foi considerado o primeiro milagre da Defunta Correa e o local onde seu corpo foi encontrado recebeu um pequeno altar.

          Durante as décadas seguintes, esse lugar transformou-se num centro de peregrinação para devotos e acabou se tornando um grande santuário: o santuário de Vallecito. Os peregrinos e devotos lotam o santuário de Vallecito para pedir graças ou pagar promessas. No resto do país, a devoção à defunta Correa está muito presente ao longo das estradas, onde podemos encontrar pequenos santuários rodeados de oferendas, especialmente garrafas cheias de água.

          A Defunta Correa é uma figura religiosa da Argentina que possui centenas de milhares de devotos, pela sua história trágica e por seus milagres. O seu culto não é aceito pela Igreja Católica, que classifica a devoção do povo como superstição. Mas isso não impediu a propagação do culto em todo o país. Durante os fins de semana e especialmente na época da semana santa, Vallecito é visitado por muitos peregrinos que buscam favores da Defunta Correa ou procuram pagar promessas.





          Ali no local encontramos uma estrutura para atender aos peregrinos que surgem de todos os lados da Argentina, também encontramos um grupo de motociclistas da cidade de Mendoza que estavam fazendo um passeio de bate e volta, entre eles estava Carlos, um engenheiro que nos passou algumas orientações sobre o roteiro que estávamos fazendo. Entreguei a ele um adesivo de nosso motoclube e de imediato ele colocou em seu capacete HD.